Objetivo da Strike é a imagem da polícia, diz delegado

Delegado-geral da Polícia Civil diz que "população gosta de ver a polícia na rua"

Agencia Estado

19 de junho de 2007 | 11h05

O delegado-geral da Polícia Civil, Mário Jordão Toledo Leme, evitou usar a palavra "marketing" para explicar os motivos de se fazer operações como a Strike, que deteve 2.532 pessoas em São Paulo na quinta-feira, 14. Mas admitiu que a melhora da imagem da polícia é o principal objetivo dessa estratégia. "Uma mobilização forte dentro da polícia, a população aplaude. A população gosta de ver essa movimentação e resgata de forma marcante a sensação de polícia na rua."Jordão explicou que conquistar a confiança da população tem caráter estratégico. "É uma equação importante. Com a população confiante, aumentam os índices de denúncias. Isso faz com que cheguem mais informações verdadeiras no Disque-Denúncia e aumenta o esclarecimento de crimes."O delegado-geral citou outros três motivos para justificar esse tipo de operação. Mostrar aos bandidos que a polícia é "forte, organizada e articulada", motivar os policiais e criar uma "sinergia dentro da corporação". "Digo com convicção que depois da primeira operação, em abril, a polícia de São Paulo não é mais a mesma. Está mais forte." Ele informou que outras operações como a Strike devem voltar a ocorrer ao longo do governo.O ex-secretário da Segurança Pública Marco Vinicio Petrelluzzi elogiou a medida. Ele afirmou que as grandes operações podem ser vantajosas quando existe um foco bem definido. "A operação deve ser medida pelos resultados que consegue. No caso da de hoje, os resultados são expressivos. São válidas, desde que não se descuide dos trabalhos cotidianos."Já o diretor do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (Ibccrim), Cristiano Marona, criticou a estratégia. Ele disse que, em vez de megaoperações, a polícia deve se empenhar em produzir provas de qualidade. "Criou-se uma aliança perversa entre a polícia e a imprensa. Em vez de respeitar o processo judicial, o suspeito é exposto e humilhado. São linchados e se cria a sensação de Justiça."

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