''''Objetivo é ganhar algum com o despejo''''

Moradores admitem que montaram barracos para ganhar indenização

Sérgio Duran, O Estadao de S.Paulo

24 de novembro de 2007 | 00h00

O advogado Jair (nome fictício), de 38 anos, espantou-se com a velocidade da construção da nova favela ao lado da Ponte Estaiada, que desce à Marginal do Pinheiros como um tentáculo do Real Parque, na zona sul. Proprietário de um apartamento no condomínio Golden Tower, ao lado da ocupação, ele passa diariamente pelo local e resolveu investigá-lo."Descobri com a minha empregada que várias pessoas estavam mantendo barracos vazios ali para faturar algum dinheiro caso haja reintegração de posse", disse o advogado. "Houve o boato na região de que a construtora do futuro Shopping Cidade Jardim (a JHS) havia pago R$ 40 mil para moradores de uma favela vizinha ao empreendimento. Muitos ali têm esperança de faturar algum."A Prefeitura de São Paulo tem como prática oferecer R$ 5 mil para famílias que queiram deixar suas casas em favelas que sejam objeto de algum projeto de urbanização. Batizada de "cheque-despejo", a medida é uma das várias usadas pelo poder público, que oferece ainda apartamentos em conjuntos habitacionais ou mesmo a compra de outra casa em outro local.Procurada, a Secretaria Municipal da Habitação informou que está acompanhando a ocupação. Também confirma as suspeitas de que a favela seja montada para obter dinheiro na reintegração de posse. Segundo a Assessoria de Imprensa do órgão, nada pode ser feito pela Prefeitura porque o terreno é particular e pertence à Empresa Metropolitana de Águas e Energia S.A (Emae). A empresa teria até entrado com ação de reintegração de posse na Justiça, segundo a assessoria da Secretaria da Habitação. O Estado não conseguiu localizar nenhum representante da Emae para confirmar a informação.De qualquer forma, como se trata de um terreno particular e não há nenhum projeto da Prefeitura no local, dificilmente os proprietários dos barracos serão indenizados com "cheque-despejo" caso a Justiça aceite o pedido de reintegração de posse da Emae. No máximo, de acordo com sua assessoria, as famílias que ficarem desabrigadas serão encaminhadas para alojamento público.Os moradores do Cingapura confirmaram que a Prefeitura tem ido regularmente ao local fotografar e fazer perguntas aos moradores. Isso porque, além da favela, começaram a ser construídas casas de alvenaria ao lado dos prédios do conjunto habitacional.A invasão das áreas comuns do Cingapura começou há cerca de um ano. Segundo moradores, o que motivou a chegada de mais vizinhos foi a oferta de emprego nos novos prédios, nas áreas de segurança e faxina e na própria construção. A zona sul é uma das que mais ganham novos empreendimentos.

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