CORPO DE BOMBEIROS/MG
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‘Obra tinha problema ou foi mal feita’, diz professora

Barragem se rompeu em Mariana (MG); estrutura serve para deter os resquícios que sobram do beneficiamento do minério

Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

05 Novembro 2015 | 21h52

Os motivos do rompimento da barragem em Mariana ainda não foram esclarecidos, mas só problemas de estrutura podem ter causado a tragédia. É o que diz a professora de Engenharia de Minas Maria Luiza Souza, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). “A barragem foi mal feita ou já estava com problema”, afirma. Segundo ela, precisa ter havido “alguma besteira” na construção ou na manutenção da contenção para ela se romper.

Uma barragem de rejeitos serve para deter os resquícios que sobram do beneficiamento do minério. O material beneficiado é vendido para a indústria, enquanto os rejeitos são depositados na barragem, pois não têm mais serventia.

A construção de uma contenção como essa é mais simples do que a de uma hidrelétrica, por exemplo, porque geralmente a empresa se aproveita das condições do terreno. O fundo de um vale pode servir de base para a barragem, enquanto as montanhas ao redor fazem o papel de represa. Os próprios rejeitos também podem ser misturados com cimento para formar uma estrutura firme ao redor de onde se pretende jogar os restos de minério.

A aparência do rejeito do minério de ferro, usado em Mariana, é de uma lama fina. Ao longo dos anos, a tendência é que essas substâncias sequem. “Se a barragem ainda está com muita água, quando rompe ela desce como um rio de lama. Provoca assoreamento de rios, vem varrendo tudo pela frente”, explica Maria Luiza. “Se a lama está saturada de água, fica sem resistência nenhuma. Por ser um solo muito fino, isso vira um caudal (grande fluxo de lama)”, diz.

A professora afirma que o rejeito de minério de ferro não oferece perigo à saúde porque não contém metais pesados nem componentes ativos que fazem mal. O maior perigo é assorear os rios da região e prejudicar o abastecimento de água.

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