Obra do Metrô deixa 5 famílias desalojadas

Escavação deslocou terreno sob imóveis; retirada foi ?preventiva?

, O Estadao de S.Paulo

10 Agosto 2009 | 00h00

Moradores de cinco casas de Vila Prudente, zona leste da capital, estão desalojados há seis dias por causa das obras de expansão da Linha 2-Verde do Metrô. A escavação do subsolo para a construção do ramal Tamanduateí-Vila Prudente provocou um deslocamento do terreno abaixo dos imóveis onde vivem essas famílias. Elas foram levadas para um hotel.O desnivelamento aconteceu na terça-feira no cruzamento entre as Ruas Pires Pimentel e Oliveira Gouveia. A Defesa Civil foi acionada, e o trânsito chegou a ser interrompido pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) - por ali passam ônibus biarticulados que circulam pelo Expresso Tiradentes. Segundo a Odebrecht, responsável pela obra, a retirada dos moradores foi preventiva. A empresa afirmou que a escavação foi paralisada imediatamente e, desde então, não houve movimentações no terreno. As famílias devem saber hoje se podem voltar para casa. O trabalho seria retomado na noite de ontem e, caso não houvesse mais deslocamentos, os imóveis seriam liberados.RACHADURASA escavação também provocou rachaduras em casas vizinhas. No número 222 da Rua Pires Pimentel, por exemplo, a construtora chegou a colocar um suporte de madeira para impedir o desabamento do teto da garagem. Dentro da casa, as rachaduras atingiram vários cômodos - azulejos da cozinha estão quebrados."Chegamos justamente quando as rachaduras começaram a aparecer", afirma a desenhista Dinorah Montgomery, de 45 anos, que se mudou há três meses para o local, com a mãe e o irmão. Os técnicos da Odebrecht vistoriaram o local várias vezes e afirmaram que não há perigo para a estrutura. "A gente ainda não decidiu se vai ficar. A construtora garantiu que vai consertar, mas não sei o que pode acontecer."A dona de casa Geraldina Amorim, de 55 anos, também pensa em deixar o imóvel, onde mora há 11. Ela afirma que, desde junho, várias rachaduras apareceram em volta de todo o teto da sala, nas paredes dos quartos e da cozinha. "Há dois meses, os engenheiros vieram aqui e fecharam as rachaduras pequenas com argamassa. Depois apareceram as outras, maiores." Geraldina disse que avisou a Odebrecht na semana passada, mas até ontem não havia recebido nova visita dos técnicos da empresa. "Estou procurando outro lugar para morar." O Metrô informou, em nota, que "acompanha a movimentação do solo (...) seguindo protocolo de segurança previamente elaborado". Afirmou ainda que "somente autorizará o retorno das famílias às suas residências após a empresa Odebrecht, responsável pela construção da obra, assegurar que estão atendidos todos os requisitos do protocolo de segurança".Em nota, a Odebrecht reiterou que o problema "se restringe às cinco casas interditadas".

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