Obra do PAC é adiada no Pavão-Pavãozinho após ação policial

Quatro traficantes foram mortos e três, baleados; três policiais ficaram feridos e seis pessoas foram presas

Pedro Dantas , O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2008 | 18h36

Estão suspensas até segunda-feira as obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) no conjunto de favelas Pavão-Pavãozinho-Cantagalo, em Ipanema, zona sul do Rio. O confronto entre policiais e traficantes ocorrido na quarta-feira, 13, no complexo foi tão violento que o prédio onde funciona o escritório da OAS, empresa responsável pelas obras, ficou destruído.  Veja também:Imagens do conflito entre moradores e policiais   Ontem, a OAS não permitiu acesso ao local, mas funcionários relataram os momentos de pânico que viveram. Eles só aceitaram dar entrevista depois de descerem do morro, e, ainda assim, sem revelar seus nomes. "Os traficantes se esconderam no primeiro andar, onde funcionam a cozinha e o refeitório. Ainda há duas poças de sangue no refeitório, pois a empresa aguarda a perícia do seguro da obra (por conta disso, o local do crime foi preservado e não foi possível fazer a limpeza)", descreveu um deles. "Houve um pequeno incêndio na cozinha e tudo foi destruído por tiros de fuzil, que furaram as paredes de madeira". Um supervisor, que não estava entre os 20 funcionários que ficaram encurralados no prédio, contou que sua sala foi atingida por vários tiros. No conflito, três criminosos morreram e outros três ficaram feridos. Anteontem, a polícia chegou a divulgar a morte de um quarto homem em um confronto no alto do morro no início da operação, mas depois recuou. O eletricista Josenildo Queiroz continua sendo procurado pela polícia para prestar esclarecimentos. Interceptações telefônicas mostraram que ele desviava material de construção da obra para traficantes. As informações foram colhidas durante uma investigação, iniciada em maio, sobre os bandidos do morro - que não só atuariam como traficantes de drogas, mas também seriam responsáveis por assaltos de turistas na área. A polícia informou que existe um mandado de prisão por roubo contra ele.  O clima ontem no morro foi de tranqüilidade. O trecho da Rua Sá Ferreira, em Copacabana, por onde se chega ao Pavão-Pavãozinho, foi interditada à tarde para que caminhões descarregassem parte das estruturas dos prédios que serão construídos pelo PAC. A todo momento, a rádio comunitária convocava os moradores para o enterro dos três criminosos mortos marcados para o final da tarde de ontem no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na zona sul.

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