Wilton Júnior/AE
Wilton Júnior/AE

Obra em edifício já era polêmica antes da tragédia no centro do Rio

Peso do entulho nos dois andares em obras causava apreensão em alguns moradores do local

Alfredo Junqueira, Bruno Boghossian e Felipe Werneck, O Estado de S.Paulo

27 Janeiro 2012 | 23h24

Atualizado às 2h20 

 

RIO - Apontada por especialistas e dirigentes do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ) como uma das possíveis causas do desabamento do Edifício Liberdade, as obras promovidas pela Tecnologia Organizacional (TO) no terceiro e no nono andares do prédio eram fonte de polêmica muito antes da tragédia que matou 17 pessoas e deixou pelo menos cinco desaparecidas.

 

O corpo da 17ª vítima foi retirado, às 2h05 desta madrugada de sábado, 28, do local onde funcionava o fosso dos elevadores do prédio de 20 andares. Após bombearem a maior parte da água que ficou acumulada naquela parte dos escombros, os bombeiros localizaram o corpo. Não foi informado ainda o sexo da vítima. O 16º cadáver, bem dilacerado, foi encontrado no início da madrugada deste sábado, 28, sob o entulho que se acumulou próximo ao prédio anexo ao Theatro Municipal. A expectativa é de que os trabalhos de busca dos bombeiros se estendam até a manhã de domingo, 29. Em razão do estado dos corpos, a possibilidade de que algum tenha sido removido junto ao entulho já retirado do local não foi descartada pelo comando da corporação.

 

O condomínio já havia pedido explicações à TO sobre as intervenções que estavam sendo realizadas no prédio de 20 andares que desabou na quarta-feira e acabou fazendo outros dois - de 10 e 4 andares - também caírem. Havia preocupação em relação ao entulho e ao peso que o material de construção guardado nas salas da empresa exercia sobre a estrutura do prédio.

 

Contratado pela TO, o engenheiro calculista Paulo Sérgio da Cunha Brasil elaborou um laudo limitando-se a informar ao síndico Paulo Renha que os quatro sacos de cimento armazenados no terceiro andar não apresentavam risco à estrutura. Ele negou ter qualquer participação na obra e disse Que não foi contratado para fazer avaliações no nono andar.

 

"Havia um questionamento do síndico se aqueles quatro sacos de cimento poderiam provocar dano à estrutura. Eu falei que esse era o peso equivalente a duas pessoas se cumprimentando. Pensei até que era brincadeira. Isso não pode, evidentemente, causar nenhuma avaria", explicou o engenheiro. Cada saco de cimento pesa 50 quilos.

 

Cunha Brasil destacou que não chegou a identificar um engenheiro responsável pela obra no local. Ele também disse ter achado estranho que Renha não tenha apresentado questionamentos sobre uma parede que ele viu sendo erguida no terceiro andar. "Isso o síndico não questionou. E a parede é mais pesada que os sacos de cimento", disse.

 

Sem pilares ou vigas. Ainda segundo o engenheiro, todos os pilares do Edifício Liberdade eram externos. Não havia pilares ou vigas no meio das lajes do prédio. A eventual remoção de parede interna, portanto, não provocaria abalo na estrutura do edifício. "Todos os pilares são externos. No meio da laje, não tem pilar e não tem viga. Era uma laje plana", explicou.

 

Procurado, o advogado Geraldo Beire Simões, que representa o síndico do Edifício Liberdade, não retornou as ligações. À TV Globo, ele informou que o laudo sobre as obras no nono andar ainda estavam sendo aguardados. / COLABORARAM GLAUBER GONÇALVES E RICARDO VALOTA

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