Obra em parceria com Serra sai do roteiro

Obra em parceria com Serra sai do roteiro

Depois de ser criticado por inaugurar obras inacabadas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desmarcou a visita que faria, na última quinta-feira, à favela de Paraisópolis, levando a tiracolo a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Lula foi aconselhado por auxiliares a adiar a viagem, sob o argumento de que havia poucos apartamentos prontos para entregar às famílias.

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2010 | 00h00

A urbanização da favela - a segunda maior de São Paulo, só perdendo para Heliópolis - faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), carro-chefe da campanha presidencial de Dilma. O detalhe é que a obra tem dinheiro da Prefeitura de São Paulo, que está nas mãos do DEM, do Palácio dos Bandeirantes - sob a batuta do PSDB - e do governo federal, que é comandado pelo PT.

"A informação de que só poucas casas seriam entregues não procede", afirmou o presidente da União dos Moradores de Paraisópolis, Gilson Rodrigues, contrariado com a ausência de Lula e Dilma. "Várias famílias já estão mudando para os prédios e o Serra vai inaugurar outra parte da obra no próximo dia 31", emendou ele, numa referência ao governador de São Paulo, José Serra (PSDB), futuro adversário de Dilma na corrida ao Palácio do Planalto.

Rodrigues cobrou a presença de Lula e Dilma na favela, um celeiro de votos disputado por petistas e tucanos. "Como esse é um ano eleitoral, quem for mais esperto inaugura as obras do PAC", comentou. "Eles (tucanos) devem ter adorado que o Lula não veio."

É a terceira vez, pelas contas do presidente da União dos Moradores de Paraisópolis, que Lula desmarca o compromisso na favela. A visita constava do roteiro traçado pelo comando da campanha de Dilma para popularizar a ministra, que, embora tenha subido nas pesquisas de intenção de voto, ainda é desconhecida por metade do eleitorado.

Área de risco. O PAC que chegou a Paraisópolis prevê a construção de 3 mil apartamentos para retirar famílias de áreas sob risco de deslizamento de terra, além de asfaltamento de ruas, canalização de córregos, construção de rede de água e até um pequeno estádio de futebol. O investimento, ali, é de R$ 319 milhões e, recentemente, Serra entregou quase duas centenas de moradias.

Lula também havia prometido inaugurar, na quinta-feira, uma rádio comunitária na favela, onde haveria mais um palanque para Dilma. "Mobilizamos mais de 10 mil pessoas, mas tudo foi por água abaixo", lamentou Rodrigues. "Agora, o negócio é esperar de novo."

Não é o paraíso

Com 80 mil habitantes, segundo dados da Prefeitura, Paraisópolis fica em uma área de 800 mil metros quadrados no bairro do Morumbi, na zona sul. Tem uma população predominantemente masculina (58%) e a favela é conhecida como um dos lugares mais perigosos da capital em índices de criminalidade e violência.

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