Obra em Sorocaba põe em risco área de manancial

As obras de ampliação do aterro sanitário de Sorocaba, a 92 km de São Paulo, colocam em risco uma área de manancial situada no entorno. Grande quantidade de terra, misturada com entulho e lixo, está sendo despejada na margem direita do córrego conhecido como Ribeirão dos Cavalos, ao lado do aterro. Moradores apontam o risco de soterramento do manancial que deságua no Rio Sorocaba.De acordo com o chacareiro José Severino, de 75 anos, como as águas já estão poluídas por esgotos, os moradores queriam a canalização do córrego. "Na primeira chuva, esse monte de terra e lixo vai para dentro do riozinho", disse. Juntamente com a terra há sofás e pneus velhos. A Secretaria de Obras e Infra-Estrutura Urbana (Seobe) de Sorocaba informou que as obras são realizadas no depósito de solo da prefeitura, em área que fica ao lado do aterro sanitário atual. De acordo com a secretaria, as obras de compactação do material que lá está visam justamente a evitar danos com chuvas fortes, como o assoreamento do córrego que passa ao lado do terreno. O aterro sanitário está com a capacidade esgotada e a ampliação foi autorizada em caráter emergencial pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb). Os moradores queriam a desativação, alegando que o local exala mau cheiro e atrai urubus. A cidade coleta cerca de 800 toneladas de lixo doméstico e industrial por dia e não dispõe de outro local para o despejo, a não ser aterros privados. A prefeitura pretende instalar um novo aterro no bairro Ipatinga, na divisa com Iperó, mas o projeto recebeu pareceres contrários do Comitê de Bacias Hidrográficas e do Instituto Chico Mendes, por estar na zona de amortecimento da Floresta Nacional de Ipanema. O plano é combatido por moradores do bairro George Oeterer, de Iperó, que fica à pequena distância. O processo aguarda decisão do Departamento de Análise de Impacto Ambiental (Daia), órgão da Secretaria de Estado do Meio Ambiente.

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