Obra no São Francisco custará R$ 1,8 bi a mais

Parada há dois anos, a transposição, um dos projetos mais caros do PAC, é retomada a um custo de R$ 6,8 bilhões, avisa ministro da Integração

Marta Salomon / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

03 Agosto 2011 | 00h00

Com o início de operação adiado em dois anos, a transposição do Rio São Francisco vai custar R$ 1,8 bilhão a mais aos cofres públicos, informou ontem o ministro Fernando Bezerra (Integração Nacional). "O aumento de 36% no custo final da obra é compatível com os reajustes de preços da construção civil", tentou minimizar o ministro.

A construção de 750 quilômetros de canais de concreto que levarão águas do São Francisco a regiões de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte tinha custo estimado em R$ 5 bilhões até o fim do ano passado. Esse valor foi revisto para R$ 6,8 bilhões. A transposição é a obra mais cara do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) bancada com a arrecadação de tributos.

A mais recente previsão oficial indica que o primeiro eixo da transposição entrará em funcionamento apenas no fim do mandato da presidente Dilma Rousseff, nos últimos meses de 2014. Quando as obras começaram, em 2007, a intenção era que o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurasse o eixo Leste.

No balanço da obra que apresentou ontem, Bezerra reconheceu que 5 dos 14 lotes de obras da transposição do São Francisco se encontram paralisados, à espera da negociação de aumentos de preços dos contratos, os chamados aditivos.

Outros dois lotes ainda passam por licitação e mais dois seguem em ritmo lento. "Contamos com a retomada e a remobilização das obras a partir de setembro", afirmou o ministro, com base na expectativa de assinar os últimos aditivos de contratos até o fim deste mês.

Segundo Bezerra, os aditivos deverão representar um custo extra de R$ 771 milhões. Os contratos assinados a partir de 2006 também tiveram reajustes, que somam mais R$ 282 milhões.

Licença ambiental. Além disso, relatou o ministro, a renovação da licença ambiental, com o atendimento de exigências feitas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), representa um custo extra de R$ 180 milhões, além dos R$ 170 milhões já desembolsados.

Para completar a elevação do preço, o ministério contabilizou um aumento de 20% a 30% do custo inicialmente previsto para os lotes 5 e 8, ainda em licitação. Esses lotes se referem às estações de bombeamento do eixo Norte e à construção de barragens. Os projetos não estavam detalhados, daí o erro na projeção.

Até junho, a transposição do rio São Francisco já havia custado aos cofres públicos R$ 2,4 bilhões. Outro R$ 1,3 bilhão já havia sido comprometido.

Ainda de acordo com o balanço do ministério, os primeiros testes em trecho inicial do eixo leste estão previstos para setembro de 2014. Até o fim deste ano, o governo deverá analisar o modelo de operação da obra e como esse custo de operação será repassado aos consumidores. A União se responsabiliza pela construção dos canais de concreto e pela instalação das bombas, mas o custo da energia elétrica a ser usada no bombeamento das águas deverá ser administrado por uma nova empresa estatal.

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