Obra permitirá que praça de Pinheiros contenha cheias

Reforma vai tornar solo permeável para escoar água e é reivindicada há cinco anos pelos moradores

Mônica Cardoso, O Estadao de S.Paulo

12 de maio de 2009 | 00h00

As ruas íngremes que cercam a Praça Dolores Hibarruri, mais conhecida como Praça das Corujas, em Pinheiros, na zona oeste, se assemelhavam a corredeiras em dias de chuva intensa. Por estar localizada em um vale, não era capaz de absorver toda a enxurrada. "A praça ficava bastante encharcada quando chovia. No dia seguinte, era impossível caminhar de tanta lama", afirma Paulo Antonio Bellizia, presidente da Associação de Moradores do Bairro de Alto de Pinheiros (Ambap).Há pelo menos cinco anos os moradores reivindicavam a reurbanização do local. Até junho, eles devem ganhar uma nova área verde e não precisarão mais temer quando ouvirem um relâmpago anunciando tempestades. A água da chuva será escoada por biovaletas - nas quais será filtrada e limpa, por meio de raízes de plantas e pedras. Minilagos de pequena profundidade serão construídos para reter e retardar a velocidade da água, evitando possíveis alagamentos. A água limpa vai para o Córrego das Corujas, localizado bem ao lado, que desemboca no Rio Pinheiros. "O conceito principal é o da permeabilidade do solo. É uma alternativa ecológica aos piscinões de concreto, que geralmente acumulam muito lixo", explica a arquiteta e paisagista Elza Niero, autora do projeto em parceria com o professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) Paulo Pellegrino. Para a execução das obras, orçadas em R$ 750 mil, os moradores contaram com o apoio do vereador e vizinho Eliseu Gabriel. A ideia de praça ecológica foi adaptada de um projeto semelhante executado na cidade de Seattle, nos Estados Unidos. O projeto paisagístico da Praça das Corujas foi premiado com a Menção Honrosa pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) em 2008. "As biovaletas poderiam ser construídas até mesmo nos canteiros de rua para impedir os constantes alagamentos da cidade", avalia Elza.A prefeita em exercício, Alda Marco Antonio, aprovou o projeto e quer levá-lo para outras praças. "Aqui será um cartão de visitas e queremos replicar em todos os locais em que for possível. Se as águas pluviais fossem absorvidas, certamente os problemas de enchente seriam minimizados." PISOCom extensão de 24 mil m², a Praça das Corujas vai contar com duas pistas de caminhada que terão o piso intertravado, permitindo que as águas pluviais atravessem pequenos orifícios. O playground, cujos brinquedos foram uma conquista dos moradores, deve ganhar novos equipamentos e um campo de futebol. Em uma etapa posterior, a praça deve ganhar mais árvores.

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