Obra que desabou e matou bebê em Aracaju era tocada sem engenheiro, diz Crea-SE

Além disso, havia um pavimento a mais. Secretaria de Segurança Pública diz que há indícios de negligência e uso de material incorreto

Antonio Carlos Garcia, Especial para o Estado

21 de julho de 2014 | 17h18

ARACAJU - A obra do prédio que desabou no sábado, 19, em Aracaju, soterrando uma família de quatro pessoas e matando o bebê de 11 meses do casal, era tocada sem o acompanhamento de um engenheiro e havia um pavimento a mais - quatro, em vez de três - do que a estrutura suportava. As informações são de representantes do Conselho Regional de Engenharia de Sergipe (Crea-SE), que estiveram nesta segunda-feira, 21, com o Corpo de Bombeiros, no local onde o prédio desabou.

O presidente do Crea, Jorge Silveira, montou uma equipe de profissionais que continuará a investigação sobre as causas do desabamento. Além de apurar se os projetos estavam compatíveis com o que era executado, o grupo vai avaliar se prédios próximos foram afetados com o desabamento.

Nesta segunda-feira, a Secretaria de Segurança Pública de Sergipe (SSP-SE) designou o delegado Valter Simas para investigar quem são os responsáveis pela queda do edifício, que aconteceu às 2 horas deste sábado, 19, na Rua Poeta José Sales Campos, em Coroa do Meio, zona sul da capital. Quatro pessoas ficaram soterradas com o desabamento e o resgate das vítimas durou cerca de 34 horas. O bebê Ítalo Miguel, de 11 meses, morreu ao receber os primeiros cuidados médicos. O pai, a mãe e a irmã dele, de 8 anos, estão internados no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) e o estado de saúde é estável.

Nesta manhã, o delegado fez uma vistoria no local, em companhia de um perito criminal, e se reuniu com o Crea. Simas disse que vai interrogar o dono do imóvel - que até agora não teve o nome divulgado -, o engenheiro responsável pela obra e as três vítimas. Nas anotações de Responsabilidade Técnica (ATRs) da obra, constam como responsáveis pela obra o engenheiro Antônio Carlos Barbosa de Almeida e o arquiteto Herval de Oliveira Santa Rosa.

Negligência. Pela manhã, o secretário adjunto da Segurança Pública, João Batista Oliveira Júnior, afirmou que há indícios  de negligência na execução da obra e suspeita de uso incorreto de material para erguer o edifício. Segundo ele, é importante “identificar as causas do acidente para que os responsáveis sejam punidos para que isso sirva de profilaxia e tragédias semelhantes não aconteçam mais".

Mais conteúdo sobre:
Aracajudesabamento

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.