Obra segue a todo vapor, apesar de investigação

Procurado pela reportagem, dono não se manifestou sobre polêmica

O Estadao de S.Paulo

07 Agosto 2026 | 00h00

O condomínio milionário na Praia de Juqueí está quase pronto, apesar das recomendações de embargo da obra feitas pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e da investigação aberta pelo Ministério Público Federal. Com as casas em fase de acabamento, operários trabalham agora na construção de duas piscinas no trecho do terreno mais próximo da praia.A reportagem esteve no local e foi orientada a telefonar para o proprietário Airton Armando Di Santoro, que tem escritório em São Paulo. A secretária de Di Santoro informou, na sexta-feira, que ele retornaria as ligações, o que não ocorreu até ontem à noite.Representante da Associação Comunitária Amigos do Juqueí (Samju), a ambientalista Regina Paiva Ramos critica os novos condomínios lançados à beira-mar, com casas muito próximas uma da outra. "São favelas de rico", afirma. "Era sagrado em Juqueí respeitar a natureza e as leis para se construir de frente para o mar. Os primeiros proprietários até plantavam vegetação e faziam questão de evitar qualquer devastação. Agora, os novos condomínios são manchas de concreto na nossa paisagem."O Estado também encontrou um terreno à beira-mar na Praia de Juqueí coberto com tapumes, localizado na Avenida Mãe Bernarda. O local tinha material de construção, mas ofícios rasgados nos tapumes indicavam que a obra estava irregular. No trecho legível do documento era possível ver que a SPU tinha interditado a construção.A reportagem não conseguiu identificar o proprietário do terreno. Funcionários de condomínios vizinhos confirmaram que, no fim de julho, agentes federais estiveram no local. A SPU não soube informar por que interditou essa obra, mas não o condomínio de Di Santoro.PLANO DIRETORAlém da questão dos imóveis "pé na areia", São Sebastião teve no ano passado uma polêmica discussão do novo Plano Diretor da cidade, apresentada pelo prefeito Juan Pons Garcia (PPS). O conjunto de normas para orientar o crescimento urbano foi apresentado com uma nova lei de Uso e Ocupação do Solo.O pacote de mudanças virou alvo de denúncias, pela suspeita de beneficiar o Riviera Group, interessado em construir prédios na região. Questionado na Justiça, ele acabou sendo tirado da pauta de votação da Câmara Municipal no fim do ano. A prefeitura reformulou o projeto, retirando do pacote as mudanças na Lei de Uso e Ocupação do Solo. O projeto do novo Plano Diretor deve ser reapresentado no próximo mês para ser discutido pelos vereadores.O Riviera comprou terrenos e imóveis na costa norte da cidade, área cogitada pela Petrobrás para receber uma base para exploração de reservas de gás descobertas na Bacia de Santos. Garcia negou favorecimento ao grupo português. Os empresários também negaram ter feito qualquer acordo com o prefeito. As denúncias são investigadas pela Justiça. CRÍTICARegina de Paiva Ramos, ambientalista da Associação Comunitária Amigos de Juqueí"Era sagrado em Juqueí respeitar a natureza e as leis para se construir de frente para o mar. Os primeiros proprietários até plantavam vegetação e faziam questão de evitar qualquer devastação. Agora, os novos condomínios são manchas de concreto na nossa paisagem. São verdadeiras favelas de rico."

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