Divulgação instituição Obras Sociais Irmã Dulce
Divulgação instituição Obras Sociais Irmã Dulce

Obras de Irmã Dulce enfrentam a pior crise financeira dos seus 60 anos 

Complexos de saúde fazem 4 milhões de atendimentos por ano voltados a pessoas em situação de risco social. Papa anunciou nesta semana a canonização da irmã

Heliana Frazão, Especial para o Estado

15 de maio de 2019 | 03h00

SALVADOR - Feliz com o reconhecimento pelo Vaticano do segundo milagre atribuído a Irmã Dulce, nessa terça-feira, 14, que deverá elevar a religiosa baiana à condição de santa, ainda esse ano, a superintendente das obras sociais que levam o nome da freira, Maria Rita Lopes Pontes, diz esperar com muita expectativa por um terceiro milagre: o de recursos que lhe permitam seguir com o trabalho social, que enfrenta sérias dificuldades financeiras.

“Infelizmente nem tudo é festa, nos defrontamos com grandes desafios, e o principal deles é a falta de dinheiro. Sem dúvida, esse é o momento mais crítico que já passamos nesses 60 anos de trabalho”, diz Maria Rita.

Ela conta que encerrou o ano de 2018 com um déficit de 11 milhões de reais. “Acho que continuamos de pé graças a ajuda de Irmã Dulce”, comenta.

Nessa quinta-feira, 16, ela irá a Brasília para uma audiência com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, a quem espera sensibilizar sobre a necessidade de liberação de verba. A reportagem tentou contatar a pasta na noite desta terça, mas não obteve resposta.

“As obras estão ficando sucateadas, nossos profissionais trabalhando no limite de suas condições, as despesas aumentam diariamente e não sabemos mais o que fazer”, desabafou a superintendente.

As Obras Sociais de Irmã Dulce abrigam um dos maiores complexos de saúde mantido 100% pelo SUS, no país. São cerca de 4 milhões de procedimentos ambulatoriais, por ano, atendendo a idosos, pessoas com deficiência e com deformidades craniofaciais, pessoas em situação de rua e risco social, entre outras.

Dos 21 núcleos que compõem as obras estão o Hospital Santo Antonio, um Centro Geriátrico, Hospital da Criança, Unidade de Alta Complexidade em Oncologia, todos na capital, Salvador, onde são atendidas pacientes diariamente, todos de baixa renda.

“Um trabalho desse tamanho não pode sobreviver só de fé. Continuamos enxergando o direito à saúde com os olhos de Irmã Dulce, como aquela última porta que não pode se fechar, mas, precisamos de recursos", conclui Maria Rita.

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