Obras em corredores de ônibus estão atrasadas e custarão quase o dobro

Pacote anunciado em agosto deveria estar pronto nesta semana; custo passou de R$ 8,1 mi para R$ 15,4 mi

Felipe Grandin, JORNAL DA TARDE, O Estadao de S.Paulo

30 de março de 2009 | 00h00

Nenhuma das nove obras previstas para melhorar o trânsito nos corredores de ônibus da capital começou a ser feita. O pacote de melhorias foi anunciado pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) em agosto do ano passado, durante sua campanha à reeleição. O início das intervenções em corredores e terminais estava marcado para novembro e as obras deveriam ficar prontas nesta semana, após investimento de R$ 8,1 milhões.Agora, a Secretaria Municipal de Transportes (SMT) estima que as intervenções sejam entregues em abril de 2010, pelo valor de R$ 15,4 milhões. As obras, portanto, devem ser concluídas com um ano de atraso, a um custo quase duas vezes maior que o previsto.No plano de metas de Kassab - Agenda 2012, com investimentos de R$ 20 bilhões -, a ser apresentado até amanhã à Câmara de Vereadores, estão incluídas obras nos corredores de ônibus. No eixo Cidade Sustentável, que engloba "melhoria da mobilidade urbana", há, entre outras coisas, previsão de implantação de 66 km de corredores de ônibus e requalificação de 38 km de corredores.PACOTE ANTERIORNo dia 5 de agosto do ano passado, dois meses antes da eleição municipal, Kassab e o secretário de Transportes, Alexandre de Moraes, anunciaram o pacote de obras para aumentar a velocidade dos ônibus e melhorar o acesso de passageiros aos terminais. A divulgação aconteceu em um evento no cruzamento das Avenidas Rebouças e Brigadeiro Faria Lima, onde estava prevista a principal mudança. Na ocasião, a Prefeitura informou que as obras começariam três meses depois.Questionada, inicialmente a SMT negou o atraso . Depois, justificou a demora e o aumento de custos afirmando que "os novos projetos passaram a englobar a parte de acessibilidade e de melhoria no trânsito do entorno dos terminais" e que "os processos licitatórios também enfrentaram recursos que acabaram por alongar os prazos".A nova previsão de investimento não leva em conta uma das obras anunciadas, retirada do pacote e incluída no projeto de implantação do corredor exclusivo para ônibus da Avenida Celso Garcia, na zona leste. Foi excluída a construção de duas paradas na Avenida Carvalho Pinto, para reduzir as baldeações feitas no Terminal da Penha. Dos itens do pacote é o mais atrasado: seu projeto ainda nem foi concluído.VELOCIDADEAs nove obras não são de grande porte, mas, juntas, deveriam aumentar em 10% a velocidade dos ônibus, beneficiando cerca de 3 milhões de passageiros por dia, segundo a SMT. No lote, estão incluídas intervenções nos corredores Rebouças e Santo Amaro, em três terminais e em avenidas movimentadas da capital paulista.Até o momento, apenas uma está sendo contratada, a reforma do Terminal Jardim Ângela, na zona sul. O projeto prevê a ampliação da plataforma externa, a construção de uma nova plataforma de embarque, a reconstrução da calçada e a instalação de oito abrigos. O custo é de R$ 800 mil. Apesar de estar em estágio mais avançado, será uma das últimas a ser entregue, em fevereiro de 2010.A primeira obra a ser concluída é também a mais importante, no cruzamento das Avenidas Rebouças e Brigadeiro Faria Lima, na zona sul. O trecho é considerado o principal gargalo do corredor Rebouças, por onde passam 506 mil passageiros por dia. A parada existente no local será substituída por uma plataforma maior, que permitirá o embarque e desembarque dos dois lados. Com isso, se pretende impedir a formação de filas de ônibus. O projeto tem custo estimado de R$ 1,5 milhão e deve ser entregue em agosto.A obra mais cara equivale a quase todo o investimento previsto inicialmente no pacote. Serão aplicados R$ 7 milhões na reforma do Terminal de Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.