Obras raras desaparecem da Biblioteca Mário de Andrade

A direção da Biblioteca Mário de Andrade, a segunda mais importante do País, anunciou nesta quarta-feira, 6, o furto de quatro obras da área mais restrita de seu Departamento de Obras Raras e Especiais. Foram levadas três litogravuras aquareladas - de Steinmann, Debret e Rugendas - e um livro de orações de 1501, em pergaminho, da biblioteca que fica na região central de São Paulo. ?É lamentável e constrangedor. Estamos fazendo um levantamento no acervo, pois é possível que o roubo seja ainda maior?, informou o diretor da biblioteca, Luís Francisco Carvalho Filho. ?Não há dúvida de que sofremos a ação de uma quadrilha, que agia por encomenda e sabia exatamente o que procurar.?O caso é acompanhado desde segunda-feira, 4, pelo delegado Mário Jordão, da 1ª Seccional do Centro. O roubo foi descoberto no final da tarde de quinta-feira, 31, e por enquanto não se sabe quando ocorreu ou até mesmo se as obras foram levadas de uma única vez ou em várias ações. A direção da biblioteca deu pela falta das obras quando a instituição recebeu a visita de uma curadora que pretendia tomar emprestada uma das obras, para compor uma exposição sobre o século 19.?Quando nos demos conta do sumiço, iniciamos um levantamento e percebemos que outras obras faltavam no acervo?, explica o diretor. No momento, a pedido da polícia, o levantamento foi suspenso, para que não impeça a busca por pistas que possam levar aos autores do roubo. ?Existe a possibilidade que outras obras tenham sido levadas.?As litogravuras foram destacadas com estilete de livros raríssimos, todos do século 19. Eles estavam em grandes armários de aço, que escondem os mais preciosos tesouros da biblioteca. São cerca de 10 mil volumes, considerados raríssimos entre os 40 mil raros da BMA.Para chegar até ali - um lugar escondido, que poucos funcionários sabem até mesmo em qual dos 22 andares da torre de livros - é preciso passar por algumas salas, a última delas fechada com cadeado, mas que não é protegida por câmeras.Só três bibliotecários - o chefe do setor e seus assistentes - têm acesso livre à chave de tranca tripla dos pesados armários de aço. E não há nenhum sinal de arrombamento. Por esse motivo, a direção da biblioteca e a polícia trabalham com a hipótese do autor do furto seja um funcionário ou alguém que tenha tido a ajuda de um deles.?A pessoa que fez isso, passou o estilete nos livros dentro da sala de leitura. Ela teve tempo para fazer, porque pode abrir outros livros que estavam embalados, por exemplo, e escolher o que levar?, anota o diretor. ?E o volume não é grande, mas também não é algo que você possa dobrar e botar no bolso.?Com 80 anos, a Mário de Andrade se mantém precariamente de pé. Há anos não pode receber um livro novo, porque não há lugar, e sofre com problemas graves de infra-estrutura, como goteiras. Em novembro, deve finalmente fechar para uma ampla reforma.Projeto alteradoO projeto de reforma da Biblioteca Mário de Andrade, que previa restaurante no último andar e elevador panorâmico, foi alterado pela Prefeitura. A parte mais visitada do local, que é a biblioteca circulante, ficaria em três subsolos a serem escavados. Mas, após as revisões dos projetos de recuperação do centro financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a Prefeitura não o considerou adequado.

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