Ocupação do Alemão é cereja do bolo

Mesmo que a participação das forças federais tenha sido acessória na ocupação do Complexo do Alemão, no Rio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lucrou com a ação. O recorde de popularidade na pesquisa CNI/Ibope está conectado à imagem de sucesso projetada pela operação. Os que acham o governo ótimo ou bom chegaram a 80% em dezembro. É o porcentual mais alto da série. A variação positiva em comparação à pesquisa anterior foi dentro da margem de erro, mas a marca tem valor histórico, pois será a nota final de Lula.

José Roberto de Toledo, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2010 | 00h00

Embora a diminuição da pobreza e do desemprego sejam as duas maiores virtudes da atual administração na opinião dos brasileiros, foi na segurança pública que a avaliação do governo mais evoluiu desde setembro. A aprovação nessa área subiu nove pontos. Chegou a 49% e, mesmo que tecnicamente empatada com a desaprovação (46%), é simbólico que pela primeira vez a taxa positiva esteja à frente da negativa.

Alguma dúvida de que isso tem a ver com a imagem de traficantes fugindo de morros cariocas? Nada menos que 1 em cada 3 brasileiros citou espontaneamente a ação das Forças Armadas no Rio como o fato recente ligado ao governo que mais lembravam. Essas respostas superaram na proporção de 3 para 1 as citações ao noticiário sobre a formação do novo governo, o segundo fato mais lembrado (11%), junto com os problemas do Enem (10%).

Esse é o tamanho do desafio de Dilma Rousseff (PT). A eleita sucede o presidente mais bem avaliado da história do Brasil no ápice de sua popularidade. E nada menos do que três quartos dos brasileiros esperam que ela faça pelo menos igual (58%) ou melhor (18%).

A relação de Dilma com a opinião pública nos próximos quatro anos estará diretamente vinculada ao desempenho da economia, ao nível de renda, de emprego e, principalmente, ao consumo da população. Foi o que a elegeu. Pode ser sua consagração ou seu fracasso.

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