Ocupação será por tempo indeterminado, diz Marzagão

O secretário da Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, determinou ontem à Polícia Militar que mantenha um cerco à Favela de Paraisópolis. Todos os acessos permanecerão ocupados por tempo indeterminado. "Esses bandidos ficarão cercados e serão presos, senão hoje (ontem) nos próximos dias", afirmou Marzagão. "A saturação da área é uma forma de proteger a população de bem e, ao mesmo tempo, dar uma resposta aos criminosos. Vamos agir dentro da lei."O secretário preferiu não especular sobre os motivos da manifestação. "Não me parece que sejam os moradores da favela. A maioria que vive ali é de gente de bem, que não atira na polícia", disse. Para Marzagão, a ação foi preparada com antecedência. "É importante que se diga que, aqui em São Paulo, não há lugar impenetrável para a polícia. É lamentável que tenhamos três homens feridos, mas faz parte da construção de uma sociedade civilizada", concluiu ele, antes de sobrevoar a favela na fim da noite de ontem.Cerca de 300 policiais militares ocuparam Paraisópolis, em agosto do ano passado, por 10 horas. Segundo a PM, a megaoperação, que teve direito a helicóptero e cavalaria, respondia a uma demanda dos moradores do Morumbi por mais policiamento. Os líderes comunitários criticaram a operação, que terminou com cinco detidos, um revólver apreendido, um carro e três motos recolhidos. Ontem as nove pessoas encaminhadas ao 89º DP (Portal do Morumbi) ficaram presas para averiguação porque não havia denúncia formal. Às 23 horas, estava prevista a libertação deles na noite de ontem ou na madruga de hoje. "Eles foram trazidos pelos PMs, mas não foram identificados por nenhuma vítima", disse o delegado Luís Gustavo Pascoetto. Apesar de saber que os detidos seriam liberados, parentes estava confusos no DP. "Meu irmão estava na rua. Foi só levar a moto na oficina. Não sei por que veio parar aqui", disse o comerciante R.G., de 22 anos, morador da favela.

Vitor Hugo Brandalise e Bruno Tavares, O Estadao de S.Paulo

03 Fevereiro 2009 | 00h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.