OEA acata denúncia de racismo contra PM do Rio

Três anos depois da morte do filho, o soldado do Exército Wallace de Almeida, por policiais militares, a empregada doméstica Ivanilde Talásio dos Santos tem "um pouco" de esperança que a justiça será feita. A Organização dos Estados Americanos (OEA) acatou denúncia de racismo e assassinato contra a PM do Rio e o governo federal, feita por entidades de direitos humanos, e vai investigar a morte do rapaz. "Com esse negócio de OEA parece que agora vai resolver. Eu tenho um pouco de esperança. Um pouquinho", disse Ivanilde.A empregada doméstica foi informada de que sua denúncia foi aceita pela OEA por uma carta do secretário-executivo da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, Santiago Canton, recebida ontem. Ela não sabe o que é exatamente a OEA, mas diz que é "importante". A organização pode interferir na questão porque o Brasil é signatário da Convenção Americana Sobre Direitos Humanos, o que permite a abertura de processo contra o Estado.Wallace de Almeida era negro, tinha 20 anos e morava no Morro da Babilônia, no Leme. Numa blitz da PM, em setembro de 1998, o rapaz foi confundido com traficantes. Levou um tiro nas costas quando chegava à casa da mãe. "Eu vi ele vindo pelo quintal, a PM atrás e ouvi um estampido. Mataram o meu filho", lembrou Ivanilde.Com base numa pesquisa do Instituto Superior de Estudos da Religião, segundo a qual 70% dos civis mortos entre 1993 e 1996 eram negros, a OEA acatou as denúncias de racismo e de assassinato contra a PM e o governo federal.Ambos têm dois meses para apresentar suas defesas. A OEA pode estabelecer uma indenização para a família e medidas de correção para a polícia fluminense. "Meu filho trabalhava para me tirar desse morro. Se eu receber a indenização, vou sair daqui. Pelo menos cumpro a vontade dele", disse Ivanilde. A Polícia Militar não se pronunciou.

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