Ofensivas em favelas matam mais 8 no Rio; 34 já morreram

Incursões policias contra o tráfico ocorreram em morros de todas as regiões da cidade e em Duque de Caxias

Pedro Dantas, O Estado de S. Paulo

21 de outubro de 2009 | 20h25

As ofensivas da Polícia Militar em 10 favelas dominadas pela facção criminosa Comando Vermelho deixaram oito mortos e dois moradores feridos, nesta quarta-feira, 21, no Rio. As incursões policiais aconteceram em morros de todas as regiões da cidade e em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. As operações pela manhã e à tarde provocaram o fechamento de escolas e a prisão de dezessete pessoas. Desde sábado, quando traficantes abateram um helicóptero da Polícia Militar, 34 pessoas já morreram em confrontos armados, de acordo com a PM.    

 

 

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Nesta quarta, o primeiro traficante foi morto no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa. A polícia divulgou que ele era o gerente do tráfico local e com ele apreendeu uma pistola. Outros dois homens foram mortos no Morro Santo Amaro, no Catete, na zona sul do Rio, onde foram apreendidas duas granadas, uma pistola e uma submetralhadora. Na Vila Cruzeiro, na Penha, dois moradores ficaram feridos durante uma operação do 16º Batalhão de Polícia Militar de Olaria.

 

A incursão de 70 policiais também resultou na prisão de dois homens. Com eles, a polícia apreendeu duas pistolas, uma granada, uma bomba artesanal e dois rádios transmissores. Na Rua Paul Muller, um dos acessos à favela, a polícia recolheu um obstáculo pontiagudo, conhecido como "jacaré", para furar pneus e impedir o acesso das viaturas policiais.

 

O confronto levou pânico aos moradores, estudantes e comerciantes dos arredores. No interior da favela, o estudante José Carlos Guimarães da Costa Júnior, de 18 anos, foi ferido com um tiro no tórax. A bala atingiu fígado, onde ficou alojada. No início da noite, ele deixou consciente o Centro Cirúrgico. "Se quer saber quem manda aqui na boca, a polícia deve investigar. Não precisa entrar atirando. Isto é uma atitude nazista", disse o pai da vítima José Carlos Guimarães da Costa, de 50 anos.

 

 

 

 

Outro ferido, Marcelo Luiz da Cruz, de 30, recebeu um tiro na cabeça e continua em estado grave no Hospital Getúlio Vargas. O barulho dos tiros deixou estudantes e moradores em pânico. Esperando desde 9h30 para voltar para casa com as compras, a aposentada Luciene Pereira, de 60 anos, chorava. "O que dói é que a gente não vive, nós vegetamos", lamentou.

 

O 3º Batalhão de Polícia Militar do Méier anunciou a prisão do traficante Rodrigo Melo Reis, o Chorrão, de 20 anos, na Favela do Jacarezinho (zona norte). De acordo com a PM, ele é suspeito de participar da invasão de sábado ao Morro dos Macacos, que resultou na morte de 10 pessoas e na queda de um helicóptero da Polícia Militar abatido a tiros. Ele foi preso em casa com um carregador de fuzil.

 

NOITE

 

Cerca de 300 moradores do Morro São João, vizinho ao Morro dos Macacos, passaram a noite na rua após o traficante Leandro Botelho, o Scooby, ameaçar com retaliações os moradores da localidade conhecida como "Pau Rolou", situada na parte alta da favela. "Eu estava na igreja. Muitas pessoas passaram correndo, o pastor fechou as portas e corremos também", contou uma mulher.

 

A polícia apresentou uma outra versão do fato. "Foi um ato orquestrado por pessoas insasores que ainda estavam no Morro São João e queriam sair de lá", afirmou o comandante do 3º Batalhão de Polícia Militar do Méier, o tentente-coronel Álvaro Moura.

 

Apesar da versão da polícia, pela manhã alguns moradores ainda abandonavam a favela. "Moro na parte alta. Estou saindo daqui com minhas filhas e tudo o que posso levar. Não dá mais", disse uma mulher, que preferiu não se identificar.

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