Offshore portuguesa é ligada à máfia do jogo em São Paulo

Com base em escutas, MPE apura relação entre entidade que controla caça-níqueis em Guarulhos e escritório de Chokr, acusado de dar propina a policiais

Agencia Estado

02 Julho 2007 | 19h17

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual de Guarulhos, na Grande São Paulo, encontrou evidências de que a importadora de caça-níqueis Jack Fortum, com sede na capital, é sócia de uma offshore portuguesa (empresa criada por meio de sociedade anônima), que seria usada para lavar dinheiro dos jogos de azar. Escutas telefônicas apontaram ligações entre a Associação de Diversões Eletrônicas e Similares de Guarulhos (Adesg) e o escritório do advogado Jamil Chokr - investigado por um suposto esquema de pagamento de propina a policiais da capital e defensor da Jack Fortum. Os promotores também encontraram uma lista que indica o pagamento de propinas a policiais. Com um mandado de busca, os promotores acompanharam a apreensão, na sexta-feira, 30, de papéis na casa do presidente da Adesg, Manuel Joaquim do Vale, de nacionalidade portuguesa, e na do vice-presidente, Manuel Dionísio. "Os documentos apreendidos indicam que estamos no caminho para rastrear a lavagem do dinheiro. Encontramos papéis da offshore portuguesa ligada à Jack Fortum", disse o promotor Silvio Loubeh. Escutas O Gaeco de Guarulhos investiga as atividades da Adesg desde 2004. Os promotores conseguiram autorização judicial para fazer escutas telefônicas, o que ajudou na obtenção dos documentos. Na casa do presidente da Adesg, os promotores encontraram uma lista com nomes e apelidos de pessoas relacionados a valores que variam de R$ 300,00 a R$ 4 mil. O documento também apresenta uma relação de valores ao lado de siglas como Garra (Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos), Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes), MA (Delegacia do Meio Ambiente) e 9º DP (Distrito Policial). "Temos indícios fortes de pagamento de propina à Polícia Civil, mas ainda não temos condições de indicar os responsáveis. As escutas não ajudaram muito nessa linha de investigação, mas foram fundamentais para comprovar que vários policiais se apresentavam como donos de máquinas aos comerciantes, solicitando a instalação dos equipamentos nos bares e padarias da cidade", disse Loubeh. Ligações para Chokr Os grampos telefônicos autorizados pela Justiça também captaram ligações dos diretores da Adesg para o escritório de Jamil Chokr, investigado pela Corregedoria da Policia Civil por um esquema de pagamento de propina. Chokr também tinha em seu poder uma lista com valores relacionados a distritos policiais da capital, apreendida em 25 de maio. "São ligações do vice-presidente da Adesg para o escritório do Jamil", disse o promotor, sem revelar detalhes das conversas. As gravações foram enviadas para a delegada Cintia Maria Quaggio, responsável pelas investigações sobre Chokr. Além de advogar para a Jack Fortum, ele defende a Reel Token, outra importadora de caça-níqueis que tem entre os sócios um empresário português. Selos O Gaeco de Guarulhos também descobriu que a Adesg usava um esquema de controle das máquinas instaladas na cidade. A entidade cobrava R$ 100 mensais por um selo, que, colado no caça-níquel, evitava sua apreensão. "Qualquer máquina só era instalada na cidade com autorização da Adesg, que cobrava o valor mensal. Vamos agora apurar se o valor era dividido com a polícia", afirmou Loubeh. O promotor ressaltou que não existe um levantamento a respeito do número de caça-níqueis na cidade. "Só posso dizer que em cada bar ou padaria da região central encontramos pelo menos duas máquinas."

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