Oficial é homenageado e deve pedir absolvição

Nakaharada recebe título de cidadão paulistano e cita ''''jornada nada agradável, mas necessária''''

Fabiane Leite, O Estadao de S.Paulo

07 Agosto 2024 | 00h00

Ao receber ontem o título de Cidadão Paulistano, o tenente-coronel Luiz Nakaharada, de 63 anos, não se referiu diretamente, em nenhum momento, ao massacre do Carandiru, em 2 de outubro de 1992, sobre o qual é acusado pelo Ministério público da morte de cinco presos que estavam numa mesma cela e duas lesões corporais. No entanto, seus advogados anunciaram durante a cerimônia, ocorrida na Lapa, zona oeste da capital, que estudam entrar com um recurso na Justiça para que a absolvição do comandante da operação do Carandiru, Ubiratan Guimarães, morto no ano passado, seja estendida ao tenente-coronel.Na solenidade, o militar afirmou que só encontrou amigos na Lapa, onde comanda há mais de dez anos o 4º Batalhão da Policial Militar. Ele vinha ''''de uma jornada nada agradável, mas necessária'''', sem dizer se estava se referindo ao episódio em que 111 presos foram mortos. Nakaharada disse ainda que nunca foi ''''omisso'''' e que ''''fez parte da ação'''', novamente sem especificar sobre o que estava falando.O evento no Colégio Santo Ivo foi organizado pelo vereador Jooji Hato (PMDB), autor do decreto que lhe concedeu o título. ''''Ressalto em alto e bom som que ele é merecedor, sim desta, homenagem'''', afirmou Hato. Também estavam presentes os deputados Celino Cardoso (PSDB) e Conte Lopes (PTB). ''''É fácil tachar os outros, mas conhecer a história dos heróis é difícil'''', disse Lopes.O prefeito Gilberto Kassab (DEM), o governador José Serra (PSDB) e o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, Celso Limongi, não compareceram, mas enviaram mensagens ao evento, segundo anunciou a mestre de cerimônia.O presidente do conselho das Associações de Amigos de Bairro da região oeste, José Morelli, disse que o trabalho de Nakaharada na Lapa ''''foi de profunda importância para o social''''. ''''Os direitos humanos esquecem que quem estava lá (preso no Carandiru) deixou para trás famílias com sofrimento.''''

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