Oito morrem em 3 operações policiais em favelas do Rio

Uma das ações buscava localizar assassinos de fotógrafo na zona norte

Talita Figueiredo, O Estadao de S.Paulo

28 Fevereiro 2009 | 00h00

Oito pessoas morreram, entre elas um policial militar, em três ações policiais na madrugada de ontem no Rio. Na favela do Chapadão, em Costa Barros (zona norte), o sargento do 9º BPM Joelson Pereira foi morto durante troca de tiros entre PMs e traficantes. Segundo a polícia, no início da noite de quinta-feira, traficantes rivais travaram uma batalha que assustou moradores da região. Com a chegada da Polícia Militar, no início da madrugada, o tiroteio se agravou e Pereira morreu. Os PMs receberam reforço de homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e permaneceram na favela em busca dos assassinos do sargento. Por volta das 6h, três supostos traficantes foram atingidos e morreram no local. A polícia apreendeu dois fuzis e uma pistola. Em Paciência, zona oeste da cidade, três homens suspeitos de serem milicianos morreram durante confronto com PMs do 27º BPM. A polícia disse que agiu depois de ser informada que um grupo de milicianos tentava invadir a favela Cesarinho. Morreram no local Roberto Gomes da Silva, Roger de Jesus e um outro homem que não havia sido identificado até a noite de ontem. A polícia matou um suposto traficante durante nova operação na Cidade Alta, em Cordovil (zona norte), para tentar identificar e prender os assassinos do fotógrafo do jornal O Dia André Azevedo, morto na noite de quarta-feira. Ele voltava de moto para casa pela Avenida Brasil quando foi atingido por três tiros. Azevedo foi arremessado para a pista de sentido oposto e foi atropelado, morrendo no local. A polícia suspeita que ele tenha sido baleado numa tentativa de assalto. Na ação de ontem, cerca de 60 homens do 16º BPM estiveram na favela com o apoio de um carro blindado. Logo na chegada dos policiais houve troca de tiros e um homem foi atingido. Com ele, a polícia apreendeu uma pistola. Não há indício ainda de que o suposto criminoso tenha participado da morte do fotógrafo. O corpo de Azevedo foi enterrado ontem de manhã no Cemitério de Irajá. Cerca de 200 pessoas acompanharam o cortejo e aplaudiram o fotógrafo no momento do sepultamento. Muito emocionados, jornalistas e funcionários do jornal O Dia usavam uma camisa com a foto de André, a palavra saudades e a pergunta "Até quando?". "Lamento que ele não foi o primeiro e nem será o último. Se eu soubesse que alguma coisa iria mudar depois da partida do meu filho já seria um alento para mim", disse Bernardino da Costa Azevedo, de 70 anos, pai do fotógrafo.

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