Oito padrões das manifestações conectadas

Especialista identifica tendência a ser seguida nos próximos protestos

Bruna Almeida,

13 Dezembro 2013 | 18h00

As revoltas chamadas por alguns especialistas de “conectadas” podem ter evidenciado uma tendência única com que os protestos estariam dispostos a se configurar a partir dos próximos anos. É o que aponta um estudo feito pelo consultor de mídia Bernardo Gutierrez, em parceria com o ativista espanhol Javier Toret e o brasileiro também especialista em internet, Tiago Pimentel. São oito padrões de comportamento com características baseadas nos movimentos dos últimos meses. O estudo foi feito com base em um levantamento anterior, realizado em escala mundial pela Global Revolution Research Network.

1.     Tecnopolítica - Ações multi-camada em espaços híbridos

Ao mesmo tempo em que vão às ruas, os manifestantes se mantém conectados à internet e acompanham os debates que surgem nas redes. A chamada “tecnopolítca” passa a utilizar as redes e o território online para gerar efeito dentro e fora da internet.

2.     Contágio estruturado

A própria estrutura das redes sociais, como fanpages do Facebook ou canais do youtube, possibilita que mais pessoas tenham acesso ao que é difundido, tendo cada vez mais importância na gestação e difusão dos movimentos em rede. Além disso, a viralidade, e a emocionalidade das informações alcançam um número maior de usuários.

3.     Explosão de comunicação e emoções

As fotos e informações compartilhadas contam com uma alta carga emocional que podem gerar indignação, repúdio e a consequente vontade de participar dos movimentos. O usuário passa a ter mais poder e chega muitas vezes a transformar o sentimento de perplexidade em esperança.

4.     Identidades Coletivas

As manifestações incentivaram o aparecimento de novas identidades coletivas, que aceitam mudanças e adaptações de assuntos colocados em pauta. Cada um levanta sua bandeira, mas todos contra uma mudançamaior.

5.     Agregação

A forma com que os novos protestos se configuram gera uma agregação maior por parte dos usuários. Seja por slogans de fácil entendimento ou pela fala comum esboçada nas redes sociais, a estrutura de auto-organização faz com que mais pessoas entendam o que é proposto e se juntem ao movimento. A rede colaborativa, segundo ele, ficou à frente de redes competitivas. Apesar de causas diferentes, havia a presença de elementos agregadores em todas as reivindicações.

6.     Crescimento auto-organizado

Sem o uso de padrões preestabelecidos, as manifestações se organizam a partir dos assuntos que surgem tanto nas redes quanto nas ruas e são pautadas à medida com que aquilo se torna relevante ou com que as pessoas se identificam com a causa.

7.     Liderança temporal distribuída

O estudo aponta que há um revezamento de lideranças, dentro das identidades coletivas, que se altera à medida com que as manifestações acontecem, de forma vertical e descentralizada.

8.     Bens Comuns

Em todas as manifestações, bens comuns como o transporte público, educação e segurança estavam presente nos cartazes e nas reivindicações. A luta pelos bens comuns se tornou a principal bandeira defendida e que conseguiu gerar novas identidades coletivas.   

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