Olhar estrangeiro em favela de SP

Livro de alunos de universidades americanas lança propostas para 2 comunidades da zona sul

Mônica Cardoso, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

30 Agosto 2008 | 00h00

A Secretaria Municipal de Habitação e as universidades americanas Columbia e Harvard lançaram ontem o livro Oficina de Idéias - Urbanização de Favelas. A obra é resultado dos projetos desenvolvidos por 22 alunos que tiveram como trabalho de conclusão de curso a criação de alternativas para a Favela Paraisópolis e o bairro Cantinho do Céu, na zona sul. "É fruto de um intercâmbio bastante interessante e apresenta propostas que podemos implementar", diz o secretário municipal de Habitação, Orlando de Almeida Filho. Segundo ele, a Prefeitura gasta R$ 40 mil na construção de um apartamento de conjunto habitacional, enquanto que a urbanização da favela custaria R$ 8 mil por unidade habitacional. Para a superintendente de Habitação Popular, Elisabete França, a diversidade enriqueceu o projeto, já que reuniu diversos cursos, como Arquitetura e Urbanismo, Sociologia, Artes Plásticas e Engenharia. Além disso, as faculdades reúnem alunos de vários países, como China, Índia, Alemanha, Grécia e República Tcheca, e tinham visões diferentes sobre a favela brasileira. Eles, inclusive, passaram uma semana na cidade, onde conheceram as comunidades. "Vários projetos de infra-estrutura são viáveis, como as lagoas de contenção para drenar a água das chuvas." Dentre os 22 projetos, o de uma aluna grega atraiu atenção pela originalidade. "É um projeto de casas pré-fabricadas com ambientes moldados de fácil manejo, deixando espaço para futuros ?puxadinhos?. A aluna estudou toda a dinâmica familiar das favelas", diz a coordenadora do projeto, Maria Teresa Diniz. Outro aluno propôs o aproveitamento de áreas de risco, principalmente em encostas, com a construção de casas em "escadinha", deixando terraços onde podem ser plantadas mini-hortas. Foi proposta a utilização das vielas para instalação de pequenas cisternas para acumular a água da chuva, não necessitando de uma grande área para drenagem. "É importante destacar que os projetos são baseados em condições sustentáveis", explica Maria Teresa. Além do lançamento do livro, a Secretaria Municipal de Habitação lançou seu novo banco de dados. Pela primeira vez, desde 1987, a Prefeitura elaborou um estudo minucioso sobre favelas, loteamentos irregulares e cortiços na capital, que está à disposição no site www.habisp.inf.br.

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