Olinda é terra de heróis no domingo de carnaval

No carnaval de Olinda, a expressão "Enquanto isso, na Sala de Justiça" está bem longe de ser o chavão do desenho animado que embalou a infância de quem cresceu nos anos 80 assistindo a muita TV. Este é o nome de um dos blocos mais divertidos e irreverentes do carnaval pernambucano. As centenas de foliões que todo domingo de carnaval saem do alto da Sé na cidade histórica e seguem até o fim das ladeiras fazem questão de se fantasiarem. E sobra, além do calor e do sol escaldante, muita criatividade. Tem espaço para Saddam Hussein comemorar o frevo juntinho com Super Homem, Mulher Maravilha e o Homem Aranha. Todos abençoados por "Jesus Cristo´, é claro. Um ´sub-bloco´ deste ano que ganhou destaque foi o "A corda, Saddam". E o que dizer dos supers? Todo mundo é super no Enquanto isso... Tem as super-protetoras, fantasiadas de embalagem de protetor solar. Super-endividados, super-Ei, super-discretos... Tem até os Líderes isolados, dos torcedores do Sport Club Recife, que se isolam literalmente dos outros foliões com uma fita e saem todos fantasiados de rubro-negro. Enfim, tem para todos os gostos. O que não tem é tempo para descanso. Duro é se conformar com o urinol público em que a cidade se transforma durante a folia. Não há sanitários suficientes para os milhares de foliões que passam por Olinda durante esta semana. A bebida acaba muito antes do percurso dos blocos acabarem. Garantir a sustentabilidade do carnaval de Olinda não é tarefa fácil. E a relação entre o ´barulho´ que a folia traz para a cidade e o cuidado que um ´patrimônio cultural´ da humanidade requer é delicada. Não por acaso um dos lemas do carnaval de Olinda é "Eio, eio, eio, se não agüenta, por que veio?" Procede.

Agencia Estado,

18 Fevereiro 2007 | 17h52

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