Olivetto estava na lista de seqüestradores desde 1989

Com o fim do seqüestro de Abílio Diniz, em 1989, descobriu-se uma lista de ?próximos seqüestráveis? por parte da quadrilha envolvida. Dessa lista já constava o nome do publicitário Washington Olivetto.Raimundo Rosélio Costa Freire, o único brasileiro condenado naquele caso, disse ontem que Olivetto virou alvo do bando pelo destaque que ganhou nos meios empresariais. ?A desculpa que me era dada era a seguinte: a guerrilha (de El Salvador) iria triunfar e necessitava manter relações diplomáticas com os empresários desse país (Brasil). Então, foram citados os nomes de Abílio Diniz e o do Washington.?Outro detalhe que se assemelha nos dois casos é o uso de células ? imóveis para treinamento e ambientação de guerrilheiros ? na zona sul de São Paulo. ?Foram seis casas que caíram depois que fomos presos. Em cada uma havia em média cinco pessoas, que foram mantidas durante um ano inteiro. Havia células da organização na Vila Mariana, como a polícia vem descobrindo no caso Olivetto.?Há semelhanças ainda com o seqüestro do publicitário Luiz Sales, em 1989. Chamado pela família de Diniz para ajudar nas negociações, Sales tornou-se a vítima seguinte. Em todos os casos citados, há estrangeiros envolvidos, pessoas que já tiveram envolvimento com guerrilhas na América do Sul. Os criminosos comunicam-se por bilhetes, normalmente denunciando o portunhol, impõem regras rígidas no cativeiros e pressionam as vítimas, escasseando a comida e deixando os presos cada vez mais abatidos.Apesar de descartar a possiblidade dessa relação entre os crimes, o brasileiro Freire acha que os seqüestradores de Olivetto ?beberam na mesma fonte dos grupos guerrilheiros? dos quais fazia parte. ?E se não forem guerrilheiros, tiveram acesso à literatura desses grupos.?

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