Olivetto ofereceu US$ 6 milhões aos seqüestradores

Washington Olivetto ofereceu, no cativeiro, US$ 6 milhões a seus seqüestradores por sua liberdade. "Não sei mais quanto nem o que posso oferecer. Não estou falando no sentido figurado. Estou falando no sentido real. Ou seja: na proposta de 4,2 milhões de dólares eu tinha noção do que estava fazendo. Nessa de 6 milhões tenho alguma noção, relativa noção. Não sei com clareza se poderia acrescentar um dólar a esses seis milhões."Olivetto insiste em falar com os seqüestradores. "Seis milhões de dólares compram fábricas. Mereço atenção até porque essa proposta está atrelada a outros fatores. Venham-me ouvir e vamos resolver. A carta anexa complementa a proposta e deixa claro o que estamos vivendo. Enxerguem."Diante do silêncio dos criminosos, Olivetto escreve outra carta. "Estou apavorado. Sobre a minha proposta de 6 milhões já escrevi. É sério. E mãe Cleusa estava. Por isso que mais do que uma entrevista, diálogo, eu estou reivindicando que venham me ouvir alguns minutos. Hoje escrevi sobre essa minha última possibilidade de oferta consciente e isso é verdade. Mas tive uma idéia que vale a pena ouvir."As cartas estão sendo analisadas pelos peritos do Instituto de Criminalística de São Paulo, que tentam ligar o cativeiro da Rua Kansas, na zona sul de São Paulo, aos seis seqüestradores presos na chácara de Serra Negra, no interior do Estado. Elas foram apreendidas no fundo falso de uma maleta em poder de Mauricio Hernández Norambuena, o chefe do grupo.Os seqüestradores responderam a Olivetto por carta datilografada. "Senhor Olivetto. Lamentavelmente a cifra oferecida pelo senhor é ainda insuficiente para as nossas mínimas expectativas. Valoramos e reconhecemos seu esforço porém consideramos que a ´entrevista´ não vai ser possível neste momento já que ela é considerada só para encerrar a negociação. Pedimo-lhe tranqüilidade e calma, já que as coisas seguem seu curso original. Continuam sua gestão junto da sua família e vamos ver o que o tempo nos diz."O desespero do publicitário aumentava. "Mais um dia se passou e espero tenha sido produtivo para o nosso episódio. Estou aqui tentando administrar meus estados - físico e emocional totalmente destruídos. As dores no coração, os tremores e os calafrios permanecem mas graças a Deus a cabeça doeu menos. Me dediquei como um louco a passar a limpo um dos meus dois cadernos e assim não pensei e por conseqüência não chorei apesar do desespero. Sinto que vou explodir a qualquer momento. Pedi uma bebida forte ao guarda. É bom porque relaxa o formigamento no peito, mas ele não deu. Por favor liberem. Até agora não tive resposta dos senhores se minha família sabe da minha situação física."Numa outra carta, Olivetto dirige-se aos seqüestradores referindo-se mais uma vez à negociação do resgate. "Aos chefes fundamental. Estou prestes a ter um infarto. Apenas para deixar claro se não estava insuficientemente claro na outra carta. A partir da minha decisão de ontem à noite eu não tenho que achar absolutamente nada. Tenho apenas o que for cumprido, digo, ordenado pelos senhores. Os senhores podem aceitar meus palpites, conhecimentos e vivências se quiserem. Minha obrigação é ajudá-los a tomar a melhor decisão para os senhores e viabilizá-la. Traduzindo: minha obrigação é fazer com que o Javier (Javier Ciuret, sócio de Oliveto na W/Brasil) pague aquilo que os senhores decidirem o número que podem aceitar, ou aceitariam se fosse oferecido depois de um determinado tempo como ocorre agora."Olivetto insiste em conversar e recebe outra carta. "Senhor Olivetto. Como a gente falo, você tem que ficar calmo. Seu desespero não tem que sair do controlo, não adianta fazer insultos para nós. O senhor é uma pessoa que tem muita educação e os insultos não falam muito bem de você. O senhor pede que nos acreditemos em você mas você mesmo é responsável por tudo esta lentidão. O senhor estivera em sua casa se houvera acreditado em nós. Você é uma pessoa inteligente não entendemos como pense que seu seqüestro leva uma ninharia. Oje comprendo sua intranqüilidade e pedimo-lhes que por um minuto entenda que as coisas tem seu ritmo que por sua e nossa segurança tem que ser feitas com muita precaução."Numa carta para a mulher, Patrícia Viotti, Olivetto diz saber pelos seqüestradores que ela está negociando. "Você salvando minha vida não seria anormal já que fez isso duas vezes quando nos conhecemos e na endocardite. Para mim quem estava cuidando era o Javier, indicado por mim e que sempre mexe com dinheiro. Eles disseram que você ofereceu 3 milhões de dólares. Hoje eles apareceram com um número como sendo deles que me deixou atônito. mas não há como cogitar. Acho que eles mesmo sabem que não existe. Piração. É grana que não acaba mais."

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