Onda de ataques no Rio deixa pelo menos dez mortos

Uma onda de ataques contra ônibus e alvos policiais que atingiu o Rio de Janeiro na madrugada desta quinta-feira deixou ao menos dez mortos e diversos feridos. A Polícia Militar confirmou a morte de dois policiais e, segundo o Corpo de Bombeiros, seis pessoas morreram em um atentado a um ônibus da Viação Itapemirim, com destino a São Paulo, que foi incendiado quando passava pela Avenida Brasil, na capital fluminense.Segundo uma das vítimas, que conseguiu escapar do veículo em chamas, um homem teria entrado no ônibus e espalhado combustível pelos assentos, enquanto outro ateava fogo. A empresa responsável pelo veículo disse ainda não haver confirmação oficial do número de vítimas. "Em função do caos generalizado no local dos fatos, os trabalhos dos bombeiros e dos policiais ainda estão em andamento", afirmou, em nota.Em um ataque na região da Barra da Tijuca, dois policiais militares foram mortos, segundo a PM. Um outro policial também teria sido assassinado com vários tiros na Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul da cidade.Na praia de Botafogo, um posto da Polícia Militar foi metralhado e uma vendedora ambulante que estava perto do local acabou morrendo. De acordo com testemunhas, uma menina que também estava no local teria morrido.As ações violentas continuaram na manhã desta quinta-feira. Um outro posto da PM e três ônibus foram incendiados em Bangu, na zona oeste do Rio. O policiamento foi reforçado na capital fluminense, que se prepara para receber turistas para a famosa festa de revéillon nas areias da praia de Copacabana.Nas primeiras horas desta quinta-feira, a operação dos ônibus que circulam entre a Baixada Fluminense e o centro do Rio foi suspensa e alguns veículos permaneceram nas garagens por precaução.Crime organizadoDe acordo com as primeiras informações, a onda de ataques no Rio teria sido deflagrada por traficantes, que agiram em represália às ações de policiais militares em alguns morros da cidade. Há suspeitas de que os atentados tenham sido coordenados pela facção criminosa Comando Vermelho. Segundo uma fonte da área de segurança, a ordem para os ataques teria partido do presídio de Bangu."A gente ainda não sabe de onde partiu a ordem, estamos levantando os fatos para divulgar a realidade em uma nota com responsabilidade", disse o sargento Adolfo, do Departamento de Relações Públicas da PM. "Tem um monte de boatos por aí".Desde o início da noite desta quarta-feira, um clima de guerra predomina no Rio. Ações de assaltantes e traficantes em confronto com a PM foram registradas nas imediações da avenida Perimetral, na Praça Mauá. Os criminosos teriam obrigado os motoristas a pararem seus veículos iniciando uma espécie de arrastão.SilêncioNenhuma autoridade do governo do Estado do Rio de Janeiro se pronunciou sobre a onda de ataques durante a manhã desta quinta-feira. O secretário de comunicação do governo, Ricardo Bruno, informou apenas que a Secretaria de Segurança deve realizar uma reunião a partir das 10 horas para avaliar a situação.De acordo com Bruno, a governadora do Rio, Rosinha Matheus, não deve comentar os recentes ataques que atingiram a capital fluminense. Após o encontro, será designado um porta-voz, que prestará esclarecimentos aos meios de comunicação e à população.Com ReutersEste texto foi alterado às 10h10 para acréscimo de informações

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