Onda de boatos sobre Congonhas deixa Lula preocupado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou preocupado nesta quarta-feira com a nova onda de boatos sobre novos atrasos e cancelamentos de vôos. Lula telefonou no fim da tarde para o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos da Silva Bueno, cobrando explicações sobre uma suposta suspensão das decolagens no Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo. Depois de conversar com oficiais na capital paulista, Bueno tranqüilizou o presidente, dizendo que as operações de pousos e decolagens transcorriam normalmente.Segundo o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, o estopim da boataria foi uma pane de 10 segundos no sistema de satélites da Embratel. ?Isso afetou não só o nosso sistema (aeronáutico), mas todos aqueles que utilizam a rede da Embratel. Mas, friso: foram apenas dez segundos?, garantiu.Diante das especulações, a TAM divulgou nota negando ter cancelado vôos. A empresa esclareceu que seus aviões estavam demorando, em média, duas horas para decolar dos aeroportos de Rio, São Paulo, Minas e Distrito Federal. No texto, destacou que não era culpada pela falta de informações nos aeroportos.Segundo a companhia, caberia às autoridades fornecer mais detalhes sobre os atrasos nos pousos e decolagens, para que as empresas pudessem repassá-los a todos os passageiros. A TAM também negou que tivesse suspendido a venda de passagens para alguns destinos, como se comentou durante a tarde em Congonhas.O presidente da Anac aproveitou a onda de boatos para condenar a ?disseminação de temores? em relação à segurança dos vôos no País. ?A quem pode estar interessando fazer esse clima de terror? Não há base lógica para isso porque tudo está sendo feito em nome da segurança?, afirmou Zuanazzi, durante a abertura do congresso da Associação Brasileira de Empresas de Transporte Aéreo Regional (Abetar), realizado ontem em Brasília. ?Os brasileiros não precisam ter medo de voar?, garantiu. De acordo com Zuanazzi, os problemas registrados nesta quarta-feira nos aeroportos foram causados por atrasos e cancelamentos de vôos noturnos ocorridos na terça-feira - medidas adotadas pela Anac justamente para garantir a segurança do sistema. A multiplicação das filas nos aeroportos, ocorrida ao longo de toda esta quarta era esperada, segundo o presidente da agência, como um reflexo do ?represamento? dos pousos e decolagens do dia anterior. ?É como uma grande enchente em que um local enche de água mais rápido do que esvazia.?Pontos cegosA crítica ao ?terrorismo? foi dirigida às denúncias feitas anonimamente por controladores de vôo do centro de controle aéreo de Brasília (Cindacta-1) sobre supostos ?pontos cegos?, em que os aviões ficam sem monitoramento. Desde a colisão entre o jato Legacy e o Boeing da Gol, em 29 setembro, quando morreram 154 pessoas, a categoria passou a apontar uma série de imperfeições no sistema de controle do tráfego aéreo do País. A Aeronáutica nega a existência de ?pontos cegos?.

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