Mycchel Legnaghi / São Joaquim on line
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Onda de frio e turismo de neve desafiam cumprimento de medidas anticovid no Sul do Brasil

Em Santa Catarina, aulas presenciais foram suspensas em 20 municípios, mas ocupação de hotéis tem sido alta

Diogo de Sousa, Especial para o Estadão

03 de julho de 2021 | 14h00

FLORIANÓPOLIS - A passagem de junho para julho foi de recordes de temperaturas negativas no Sul do País, com registro de neve e chuva congelada. Além da dificuldade de lidar com o frio, a chegada do inverno mais rigoroso desafia o cumprimento de protocolos anticovid, como privilegiar lugares abertos e manter os espaços ventilados.

Em Santa Catarina, surgiu até um paradoxo: enquanto aulas presenciais foram suspensas em pelo menos 20 cidades do interior do Estado, para evitar o espalhamento do novo coronavírus, a rede hoteleira da região tem ocupação superior a 90%, com visitantes de todo o Brasil. 

A procura por turistas não é restrita aos municípios do chamado “quadrilátero da neve”: Urubici, Urupema, São Joaquim e Bom Jardim da Serra. Segundo Ana Vieira, turismóloga da Associação dos Municípios da Região Serrana, a chegada de visitantes se espalha também aos municípios do entorno, como Bom Retiro, Rio Rufino, Bocaina e até o município de Lages.

“Muitas pessoas vêm até a Serra para se hospedar em hotéis da região e essa é uma condição que mudou do ano passado para cá. Já tínhamos visto desde o final de semana do Dia dos Namorados”, contou ela. 

O secretário da Saúde de Santa Catarina, André Motta Ribeiro, destaca a necessidade de bom senso e vê falta de engajamento de parte da população. “Estamos há 15 meses e 18 dias nessa pandemia e tem gente que insiste em não cumprir regras. E não é só no turismo, é em todos os segmentos. Só espero que a população cumpra o que é determinado pois nós estamos fazendo o que é certo”, aponta ele, que minimiza o contraste entre o cenário dos hotéis e das escolas. 

Conforme o Boletim Epidemiológico de quinta-feira, 1º, a região da Serra Catarinense é a que proporcionalmente tem a maior quantidade de casos ativos: 416 para cada 100 mil habitantes.

Sobre os impactos da estação no cenário da doença no Estado, Motta lembra que a força com que o inverno adentrou, na última semana, potencializa as chamadas doenças de inverno, que são consideradas similares ao coronavírus. "Estamos fomentando a fiscalização junto com os municípios e o que está ao nosso alcance estamos fazendo."

Em junho, o Observatório Covid-19 da Fiocruz apontou para o risco de agravamento da pandemia da covid-19 e da alta de outras doenças respiratórias com a chegada do inverno. Embora o País tenha registrado tendência de queda nas mortes pelo novo coronavírus nas últimas semanas, a média de vítimas continua elevada, acima de 1,5 mil por dia. 

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