Onda de mortes preocupa agentes penitenciários de SP

A onda de assassinatos de agentes penitenciários em São Paulo preocupa o presidente do Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (Sifuspesp), João Rinaldo Machado, de 41 anos. Ele pretende reunir-se na terça-feira, 17, com o secretário da Administração Penitenciária, Antônio Ferreira Pinto. A princípio, Machado descarta a possibilidade de greve. Além dos assassinatos de agentes, ele quer discutir com o secretário outros problemas registrados nas unidades prisionais. Segundo o sindicalista, em algumas unidades os presos estão agredindo os agentes, mas os diretores não tomam providências. No sábado, 14, o agente Carlos do Carmo, de 33 anos, que trabalhava no Centro de Detenção Provisória 2 (CDP) de Osasco, na Grande São Paulo, foi assassinado com oito tiros. O crime aconteceu em frente ao prédio onde ele morava, no Jardim Arpoador, na zona sul da capital. Somente em 2007 já foram mortos cinco funcionários de presídios. Reivindicações O Sifuspesp já havia apresentado à Secretaria da Administração Penitenciária uma pauta de reivindicações. Isso foi feito em maio de 2006, quando o crime organizado começou a atacar as forças de segurança do Estado e a matar agentes penitenciários. Machado também está preocupado com as tentativas de fugas registradas nos últimos dias. No domingo, 15, às 16h20, dois presos do CDP 1 de Franco da Rocha tentaram fugir vestidos de mulher, misturados às visitas. Como não conseguiram, houve princípio de motim, que foi controlado às 17 horas. Neste mês, uma tentativa de fuga na Penitenciária 2 de São Vicente deixou saldo de dois presos mortos e um guarda de muralha ferido. Em janeiro, uma fuga frustrada no CDP de São José dos Campos causou motim e quebra-quebra na unidade. Funcionários foram feitos reféns. Assassinatos Além da morte de Carmo, que teria sido abordado por quatro homens, outros quatro agentes também foram mortos em São Paulo. Segundo o Sifuspesp, 2007 tem outras quatro vítimas, uma delas é Cláudia Pinilha, que trabalhava no CDP 1 de Osasco e foi atropelada em Ourinhos, no interior do Estado, em janeiro. Policiais acreditam que foi acidente, mas colegas de serviço e parentes da agente acham que foi homicídio. Poucos dias antes de morrer, a funcionária teria comentado sobre supostas irregularidades no CDP, como a entrada ilegal de telefones celulares. Também em janeiro foi executado a tiros Wellington Segura, diretor-geral do CDP de Mauá, no ABCD. Em março, o agente Márcio Roberto Fiorini, do CDP de Suzano, foi agredido a pauladas na saída do presídio e depois atropelado. No dia 1º de abril criminosos mataram o agente Antonio Carlos Ataliba. Ele trabalhava no CDP 1 de Pinheiros e foi executado em Osasco. Uma semana antes, Ataliba denunciou irregularidades no CDP. Guerra acirrada »5 agentes penitenciários morreram este ano , segundo Sifuspesp; »3 funcionários foram executados a tiros pelo crime organizado; »2 agentes morreram atropelados, mas colegas de trabalho acreditam que foi homicídio e não acidente.

Agencia Estado,

16 Abril 2007 | 10h37

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