Onda de violência deixa pelos menos seis mortos no Estado

A nova onda de violência que atingiu o Estado de São Paulo nesta quarta-feira, 12, atribuída a supostos membros do Primeiro Comando da Capital (PCC), que atacaram, entre a noite de terça-feira e esta quarta, delegacias, bases da Guarda Civil Metropolitana (GCM) e da Polícia Militar (PM), deixou pelo menos seis pessoas mortas, sendo duas na capital, três na Baixada Santista e uma em Campinas. Dois vigilantes da empresa GP, firma terceirizada que presta serviços de segurança na cidade de Guarujá, no litoral, foram atacados entre zero hora e 0h30 de hoje. Um deles, identificado como Éverson de Souza Silva, foi baleado com vários tiros em frente a uma escola no bairro de Morrinhos e morreu. O outro foi baleado por um grupo de jovens, todos em bicicletas, na porta do Instituto Médico Legal (IML), localizado na Rua Lídio Martins Correa, no mesmo bairro, e também morreu. Um terceiro vigia foi morto na travessia de balsas do litoral.Por volta das 21h30 de ontem, em São Vicente, o filho de um investigador de Mauá, Antonio Leandro Soares Forner, de 19 anos, foi baleado por desconhecidos e encaminhado ao Pronto-Socorro do Centro de Referência em Emergência e Internação (Crei). A Secretaria de Segurança Pública do Estado não confirma esta morte.PoliciaisDois policiais militares, um da Força Tática, identificado como Lorenzo, e outro da 2ª Companhia do 18º Batalhão, foram atacados, por volta da 0h30 desta quarta-feira, em Vila Nova Cachoeirinha, zona norte da capital paulista. Segundo as primeiras informações, o soldado Odair José Lorenzi, 29 anos, lotado na Força Tática foi chamado até a porta por uma mulher e, ao atender, acabou metralhado por desconhecidos, morrendo a caminho do pronto-socorro do mesmo bairro.A irmã do policial, Rita de Cássia Lorenzi, 39 anos, que morava na mesma casa, ouviu os tiros, abriu a janela e foi baleada na testa e acabou morrendo também. Vários carros do 18º Batalhão da PM foram acionadas. Um dos policiais, lotado na 2ª Companhia, foi baleado quando se aproximava da casa do colega de corporação morto. O policial, atingido nas pernas e no peito, foi levado também para o pronto-socorro de Vila Nova Cachoeirinha, onde passou por cirurgia. Os criminosos estão foragidos. O casos foram registrados no 40º Distrito Policial, de Vila Santa Maria.Um agente da Polícia Científica foi morto nesta quarta na Praça Durval Privato, ao lado do Terminal de Ônibus da Casa Verde, por dois homens em uma motocicleta. A SPTrans afirma que o terminal não foi atacado.Também foram atacadas duas bases da Polícia Militar e três da GCM na capital paulista. Uma das bases da PM pertence à 2ª Companhia do 13º Batalhão e fica na Praça Rotary, em Santa Cecília, região central. A outra, do 16º Batalhão, fica na Rua Flávio Américo Maurano, em Paraisópolis, região do Morumbi, na zona sul. Ocupando quatro carros, bandidos armados atiraram contra duas bases da Guarda Civil Metropolitana no extremo leste da capital paulista. Os ataques ocorreram entre as 2h e 3h desta madrugada.Uma das bases, localizada na altura do nº 1.331 da Avenida dos Têxteis, em Cidade Tiradentes, é uma das sedes do Comando Leste da corporação. Ninguém ficou ferido. O mesmo grupo seguiu em direção à outra base na Praça Getúlio Vargas, na esquina da Rua Cosme Deodato Tadeu, em Guaianazes, e disparou mais de 20 tiros, mas também não houve feridos. Segundo a GCM, na mesma área os criminosos roubaram cinco táxis, que podem ser usados em novos ataques. A terceira base atacada fica na altura do nº 125 da Avenida Silvio Ribeiro Aragão, no Campo Limpo, zona sul. Segundo os guardas, os criminosos estavam em um veículo Golf e conseguiram fugir. Ninguém ficou ferido também.DelegaciasO prédio do 2º Distrito Policial de Suzano, na Grande São Paulo, localizado na avenida Francisco Marengo, bairro Miguel Badra, foi metralhado por volta das 3h de hoje. Aproximadamente 15 tiros atingiram as paredes da delegacia. Como o local não funciona no período noturno, não há informações sobre a autoria do atentado.Na Delegacia de Defesa da Mulher de Pindamonhangaba, documentos, computadores e móveis foram queimados. Os vidros da recepção foram quebrados e, através deles, uma bomba de fabricação caseira foi lançada no interior da delegacia. Os vizinhos escutaram o barulho e sentiram o cheiro do fogo, que deixou marcas nas paredes do prédio. Os bombeiros conseguiram deter o incêndio e também desarmaram uma granada, que não explodiu, lançada no fórum da cidade. Por medida de segurança, o fórum funcionou com as portas fechadas e a delegacia também colocou cones em frente ao prédio.Em Ubatuba o trânsito na rua de acesso à delegacia também foi interditado por medida de segurança. Os 16 detentos que ocupavam uma cela da delegacia feminina e que na semana passada foram colocados dentro de um caminhão foram transferidos para outras unidades prisionais na última terça-feira. Na tarde desta quarta somente quatro homens ocupavam uma pequena cela da cadeia, onde há 59 mulheres. "Depois das transferências a situação ficou melhor", contaram os policiais.AgentesUm agente penitenciário foi morto e outro está ferido em estado grave em Campinas. Eles foram alvejados por tiros em diferentes pontos da cidade. O agente penitenciário Abner Machado Silveira, 51 anos faleceu com um tiro no peito. A ataque aconteceu por volta das 16 horas. Ele chegou a ser socorrido e levado ao Hospital Municipal Mario Gatti. Silveira fazia a escolta de rua de um grupo de presos beneficiado pelo regime semi-aberto do Centro de Progressão Penitenciária Ataliba Nogueira uma das seis unidades do Complexo Penitenciário Campinas-Hortolândia. Os detentos do Ataliba Nogueira, que saem de dia para trabalhar e voltam a noite para o presídio, realizavam limpeza nas ruas do bairro São Bernardo a serviço da Prefeitura de Campinas. Segundo pessoas que testemunharam o ataque, um homem se aproximou e efetuou três disparos em direção a Silveira. A seguir, o agressor fugiu em um carro Gol que o esperava nas proximidades. A polícia encontrou o automóvel abandonado nas imediações da avenida John Boyd Dunlop. O segundo agente atacado foi levado em estado grave pela equipe do SAMU ao Hospital Municipal Mario Gatti. O hospital não divulgou o seu nome. No início do mês, dois agentes penitenciários que atuam no Complexo foram perseguidos por motoqueiros. Eles conseguiram fugir e não foram atingidos. Conforme o presidente do Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (Sifuspesp), regional de Campinas, João Rinaldo Machado, os agentes vem recebendo ameaças desde a megarrebelião que atingiu os presídios em maio último. "Estamos pedindo que os agentes não acompanhem os presos fora do Ataliba nos próximos dias",disse ele. A orientação da categoria é redobrar a atenção. Machado disse que os agentes estão circulando em grupos e que não deixEm o trabalho desacompanhados. Alguns mudaram o itinerário e evitam freqüentar bares e shopping center. "Agora temos certeza que não há mais segurança", lamentou.Por Ricardo Valota, Carina Flosi, Rose Mary de Souza, Solange Spigliatti, Paulo R. Zulino e Fabiana Marchezi

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