WELLINGTON MACEDO
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No 9º dia de ataques, criminosos explodem bomba em viaduto e queimam ônibus e carros no Ceará

Desde o dia 2 de janeiro, ao menos 177 ações criminosas foram cometidas em 43 cidades cearenses; 277 suspeitos já foram presos

Arthur Soares, Marcia Feitosa e Renata Okumura, Especial para O Estado

09 Janeiro 2019 | 10h36
Atualizado 10 Janeiro 2019 | 12h29

FORTALEZA e SÃO PAULO - Criminosos explodiram uma bomba no Viaduto da estação Parangaba da Linha Sul do Metrô de Fortaleza (Metrofor), durante a madrugada desta quinta-feira, 10, no 9º dia da onda de violência contra equipamentos públicos e privados em diversas cidades do Ceará.

Segundo a assessoria, a explosão foi registrada por volta de 0h40. No início da manhã, engenheiros foram ao local para checar a estrutura do viaduto. Após análise, observou-se que o dano foi superficial e o funcionamento dos trens não foi afetado. O reforço policial está mantido nas proximidades da estação. 

O Metrofor informa ainda que a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) está acompanhando o caso. 

Desde o dia 2 de janeiro, ao menos 177 ações criminosas foram cometidas em 43 cidades cearenses, conforme informou a Polícia do Ceará. 

Uma das mais recentes 'ordens', que teria partido de membros de facções criminosas, manda que aliados desses bandidos na periferia de Fortaleza quebrem lâmpadas de postes, o que tem sido atendido. O Centro de Referência de Assistência Social (Cras), no Conjunto Palmeiras, também na capital cearense, foi incendiado na madrugada desta quinta-feira. 

Na noite de quarta-feira, 9, depois de um dia de aparente calma, um ônibus foi incendiado no bairro Canindenzinho, e a orientação do sindicato das empresas de ônibus foi para que as pessoas voltassem mais cedo para casa. A frota de veículos de transporte urbano foi reduzida para 30%. 

A SSPDS divulgou que 277 suspeitos já foram presos ou apreendidos por participação nos atos criminosos registrados nos últimos dias no Estado. No entanto, dois deles, após audiência de custódia, foram liberados e vão responder em liberdade.

"As prisões e apreensões registradas na capital, região metropolitana e interior são oriundas de ações das Polícias Civil e Militar do Ceará, que atuam incessantemente para garantir segurança a todos os cidadãos cearenses e a normalidade no funcionamento dos serviços públicos", destacou a nota. 

Três bandidos encapuzados também queimaram um ônibus, uma ambulância e cinco carros em uma oficina do Departamento Nacional de Obras Contras as Secas (Dnocs) da prefeitura de Forquilha, que fica na região norte do Estado. O tenente Romário Fernandes, do Corpo de Bombeiros do Ceará, disse que a Polícia Militar (PM) foi acionada por volta das 3h15 desta quinta-feira. Ninguém ficou ferido.

Outros ataques

O Ceará registrou 11 ataques na quarta-feira, 9. Desde o dia 2 de janeiro, os atentados afetam a movimentação nas ruas de Fortaleza, que é menor do que o habitual. Vinte e um presos foram transferidos na quarta para o presídio federal de Mossoró (RN) . 

Com menos carros nas principais avenidas da capital cearense, o trânsito flui com mais rapidez, mas há falhas na circulação do transporte coletivo. Na quarta, a frota de ônibus foi reduzida às 20 horas, segundo o Sindiônibus. As operações das linhas Sul e Oeste do metrô e do VLT Parangaba-Mucuripe também foram encerradas no mesmo horário.

Na noite de terça-feira, 8, uma concessionária de veículos foi alvo de um ataque em Fortaleza. Um homem, que pilotava uma moto, atirou várias vezes contra o local. Uma vidraça  foi quebrada e três caminhonetes que estavam expostas para venda no pátio da concessionária foram atingidas. O vigilante não ficou ferido.

Também na noite de terça-feira, explosivos foram apreendidos no Morro de Santiago, na capital cearense. Segundo a Polícia Militar, os suspeitos tentavam explodir uma ponte com o objetivo de dificultar o acesso ao bairro. As seis bananas de dinamite foram encontradas em quintais de casas, na base do morro. O suspeito de ser dono dos artefatos foi preso e encaminhado à Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco).  

Ainda na mesma noite, um depósito de reciclagem foi incendiado no município do Eusébio, região metropolitana de Fortaleza. Conforme a PM, os envolvidos fugiram do local sem serem identificados. O material inflamável que havia no galpão ajudou na propagação rápida das chamas. A maior parte dos produtos que estava no local para reciclagem se perdeu.

Uma fábrica de castanhas, que funciona no município de Aquiraz, também na região metropolitana de Fortaleza, foi incendiada pela segunda vez  na madrugada da quarta-feira, 9. A empresa já havia sido alvo de ataques criminosos na segunda. Também na madrugada de quarta, o prédio de uma rádio foi incendiado no município de Morrinhos, na região norte do Ceará. As chamas foram controladas depois que uma patrulha do Corpo de Bombeiros foi acionada. 

Houve ainda um ataque a uma sala do Centro de Referência da Assistência Social (Cras), em Maracanaú, na região metropolitana, nesta quarta. Em Caucaia, também na região metropolitana, uma creche foi incendiada.

Ações

Durante uma entrevista concedida na manhã desta quarta-feira, 9, a uma emissora de TV, o governador Camilo Santana (PT) disse que a série de rebeliões ocorridas em 2016 destruiu o sistema penitenciário cearense. Para ele, as ações criminosas de agora são uma resposta ao trabalho de combate ao crime organizado iniciado em seu governo. 

O comandante da PMCE, coronel Alexandre Ávila, disse que o patrulhamento ostensivo e preventivo aos ataques feito na capital e na região metropolitana está acontecendo 24 horas por dia, com cerca de mil policiais em cada turno.

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