ONG acusa PM de atrasar processo da Castelinho

Seis anos após a morte de 12 ladrões, Justiça ainda não ouviu todos os réus, diz Hélio Bicudo; polícia nega

Laura Diniz, O Estadao de S.Paulo

05 de março de 2008 | 00h00

Seis anos após a Operação Castelinho, completados hoje, em que policiais militares mataram 12 ladrões, a Justiça ainda não ouviu todos os réus do processo (53 PMs e dois presos infiltrados), segundo a Fundação Interamericana de Direitos Humanos (Fidh), presidida por Hélio Bicudo. A PM de São Paulo nega e afirma que inclusive quatro testemunhas de acusação foram ouvidas - o que só poderia acontecer após o término das audiências com os réus."O processo teve de ser desmembrado (dividido), porque estava difícil achar um policial", disse o advogado Danilo Chammas, assistente de Bicudo. Esse policial será julgado separadamente, para evitar a prescrição dos crimes - 12 homicídios triplamente qualificados. A ação teria muito pela frente antes da sentença, como depoimento de testemunhas de acusação e defesa e produção de provas. Segundo o MP, a polícia e os presos infiltrados induziram os 12 homens a praticar um assalto, deram-lhes armas e munição de festim e os executaram no km 12 da Rodovia José Ermírio de Morais, a Castelinho.Essa, para Bicudo, é a estratégia da PM para enrolar o processo: dificultar o depoimento de policiais, transferindo-os de cidade. "Isso não vai demorar menos de 10 a 15 anos", estima. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) declarou estranhar a informação, porque a Fidh não procurou o titular da pasta, Ronaldo Marzagão, para reclamar. A PM nega ter utilizado de transferências para atrapalhar o processo e diz que Bicudo está "mal informado ou mal-intencionado". Pelo balanço divulgado ontem pela Fidh, o Centro Santo Dias de Direitos Humanos da Arquidiocese de São Paulo dá assistência jurídica a oito famílias que entraram com ações cíveis contra o governo do Estado, pedindo indenizações por dano moral. Na primeira instância, uma foi julgada procedente, uma, improcedente, e cinco ainda tramitam. A Fidh considerou insuficientes as respostas do Estado e levou o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que pode se manifestar a qualquer momento sobre o caso, inclusive para declarar o País culpado pelas 12 mortes e exigir providências.A aposentada Dilma Silva do Carmo, de 51 anos, que perdeu o filho Silvio Bernardino do Carmo, então com 28, na operação, disse não acreditar na Justiça, porque ela "não faz nada por quem é pobre". "Não tem dinheiro no mundo que tire a dor de dentro de mim. Queria meu filho vivo. Mas, para mim, é uma esmola que eles estão negando", disse, sobre a indenização de 250 salários mínimos que lhe foi negada.

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