ONG quer mapear casos de bullying no Brasil

Iniciativa faz parte da campanha "Aprender Sem Medo" e começará em fevereiro de 2009

Ana Luísa Westphalen, da Agência Estado,

07 Outubro 2008 | 18h35

A Organização Não-Governamental (ONG) inglesa Plan irá mapear a partir de fevereiro de 2009 o quadro da violência escolar no País, com foco na prática do bullying. A iniciativa faz parte da campanha "Aprender Sem Medo" e pretende traçar o panorama por meio de parcerias com os governos estaduais. O termo bullying é adotado para definir atitudes agressivas, intencionais e repetidas adotadas por um ou mais estudantes contra outros, causando dor e angústia, e sendo executadas dentro de uma relação desigual de poder.   De acordo com o assessor de educação da ONG, Charles Martins, a intimidação física, verbal ou social está ligada a experiências de violência em casa. "As crianças aprendem que a violência é um mecanismo primário para negociar relacionamentos", explica.   Segundo levantamento da Iniciativa Global para Acabar Com Todo o Castigo Corporal Contra Crianças (Global Initiative to End All Corporal Punishment of Children, em inglês), o bullying é mais comum em escolas superlotadas e com supervisão imprópria de adultos. O estudo aponta que as vítimas perdem a auto-estima, podem sofrer de ansiedade, freqüentemente desenvolvem problemas de concentração e dificuldades de aprendizado. Outras reagem agressivamente, intimidando colegas em um esforço de reconquistar o status. "Nos casos mais graves, as vítimas de bullying sofrem de tensão crescente, um risco mais alto de abuso de drogas e de suicídio", diz a pesquisa.   Segundo Martins, o maior desafio para constatar casos de bullying é que as vítimas têm vergonha de denunciar. Além disso, ele explica que poucas acreditam que suas escolas adotarão uma medida efetiva para melhorar a situação.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.