ONGs de Campinas querem aumentar força policial da cidade

Mesmo estando totalmente descrentes da integridade de sua polícia, as Organizações Não Governamentais (Ongs) voltadas para a segurança pública de Campinas, se dedicam a encontrar maneiras de aumentar a força policial da cidade. Entre várias medidas que deverão envolver o governo federal - ao qual será solicitada a decretação de estado de segurança na cidade e, provavelmente, a solicitação de que gastos com segurança particular sejam dedutíveis do imposto de renda (IR)- e o governo estadual - a quem será pedido um novo batalhão da Polícia Militar - as ONGs pretendem, elas mesmas, realizar medidas como o empréstimo de computadores e oferecimento de softwares e material humano para que a polícia possa conter a criminalidade em Campinas.Mesmo com a explosão dos seqüestras na cidade, nos finais de semana, apenas quatro dos 12 distritos policiais (Dps) funcionam. No sábado, dois dias após a execução da dona-de-casa Rosana Rangel Melotti, de 52 anos, em frente à sua casa, pelos seqüestradores, tanto a Delegacia Seccional de Campinas quanto o Departamento de Investigações Gerais - no qual funciona a Delegacia Especializada Anti-Sequestro - permaneciam fechadas.Durante a semana, todos os Dps, exceto o 1º, fecham às 18 horas. Isso, segundo um dirigente de uma das ONGs, que por medo de represálias -até por parte da polícia- pediu para não ser identificado, deve-se ao medo de assaltos.Apesar disso, sobram suspeitas e provas de envolvimento da polícia local com sequestradores, principalmente o líder do crime em Campinas, Wanderson Newton de Paula Lima, o "Andinho", de 23 anos.Os investigadores Eudes Trevisan, da Delegacia Anti-Sequestros de Campinas, e Rogério Luiz Salun Diniz, do 4ºDP da cidade -que atende o bairro do Taquaral, onde Rosana Melotti morava e foi morta -tem prisão decretada. A polícia investiga suspeitas de que eles tenham recebido US$ 20 mil dos seqüestradores de Thiago Albejante Mazon, que ficou mais de 20 dias em cativeiro em novembro último, sendo libertado após pagamento de resgate.Mesmo assim, as OnGs pretendem emprestar computadores aos Dps. "Seria apenas uma cessão. Poderíamos doá-los, mas dessa forma não teríamos como cobrar nada", diz o diretor da Ong. O empréstimo, segundo ele, também ajudaria quando os equipamentos necessitassem de manutenção. "Se déssemos isso ao Estado, qualquer conserto teria de passar por licitação, o que nos custaria uma demora de nove meses". As Ongs também solicitaram à Unicamp, a confecção de um software que tabele dados sobre crimes, afim possibilitar o se mapeamento.Para operar tudo isso, as Ongs contam com as faculdades de Direito da região. A idéia é de que universitários trabalhem nos Dps como estagiários para registrar os Boletins de Ocorrência (Bos.). "A Polícia Civil está tão mal aqui, que faltam escrivães. Os B.O.s são registrados pelos investigadores, que fazem esse serviço com má vontade. Até se compreende, já que esse não é os serviço deles", diz o dirigente.Outra proposta que visa aumentar o efetivo policial nas ruas, é de que os detentos deixem de ter suas audiências no Fórum. "A cada audiência", diz o diretor, "seis Pms têm de acompanhar os presos. Se os juizes se deslocassem aos presídios ou se as audiências se dessem por teleconferência, isso não seria necessário."Ao Estado, as Ongs solicitarão um novo batalhão da PM. "Os gastos seriam só com pessoal, já que há espaço para outro batalhão dentro do quartel. Queremos que as autoridades se mexam".Enquanto isso, a população se vira como pode. Toninho - Desde o assassinato do prefeito Antônio da Costa Santos, no final do ano passado, fala-se na cidade da formação de milícias para combater os criminosos. O diretor não confirma, mas isso estaria sendo preparado pelos ciganos que vivem no bairro Taquaral. O número de seguranças armados na cidade chegaria a 15 mil, enquanto o efetivo da PM supera em pouco mais de 10% esse número: 1.800 homens, 600 dos quais ocupados com funções burocráticas. Por conta disso, uma das propostas discutidas pelas Ongs é de que gastos com segurança passem a ser dedutíveis do IR. A proposta no entanto, gera polêmica dentro das próprias Ongs. Assim, ela poderá não ser incluída na lista de exigências que será enviada à presidência da República nesta semana. Entre elas, está a solicitação para a decretação do Estado de Segurança em Campinas e a inclusão da cidade entre as prioritárias do Plano Nacional de Segurança.

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