Jamil Chade/ESTADÃO
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ONGs denunciam à ONU chacinas de crianças no País

Para apresentar a voz dos jovens brasileiros, grupos levaram até Genebra Douglas dos Santos, morador de violento bairro de Belém

Jamil Chade , O Estado de S. Paulo

04 de fevereiro de 2015 | 03h00

GENEBRA - Uma coalizão de ONGs internacionais e brasileiras denunciou nesta terça-feira, 3, na Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, o aumento do número de chacinas envolvendo crianças. A reunião entre os peritos e os ativistas foi realizada em total sigilo, sem a presença da imprensa ou do governo.

A última vez que a ONU examinou a condição da infância no Brasil foi em 2003. Naquele momento, o governo estava atrasado na entrega de seu informe e prometeu que cinco anos depois apresentaria sua versão. 

Quase nada aconteceu depois disso, e a entidade chegou a ameaçar examinar o Brasil mesmo sem um informe apresentado pelo governo. Diante da pressão, o País apresentou sua posição e um exame vai ocorrer em setembro, mais de sete anos depois do previsto. 


Os peritos da ONU, porém, convocaram representantes da sociedade civil para prestar informações da situação no Brasil. Nesta terça, o que ouviram foi um relato de uma profunda crise, em um informe elaborado por entidades como a Save the Children, Fundação Abrinq, Action Aid e Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente. A constatação é de que, na última década, a situação se deteriorou de forma profunda no que se refere à segurança juvenil. 

Números. Segundo dados passados às Nações Unidas, entre 1997 e 2011, o número de homicídios passou de 6,6 mil para 8,8 mil, aumento de 33%. A taxa de mortes para cada 100 mil jovens passou de 19,6, em 1980, para 57,6 em 2012 (194%).

Um dos casos retratados nas reuniões foi o de Belém. Na madrugada de 5 de novembro de 2014, 11 pessoas foram mortas supostamente por milícias que entraram em bairros da periferia da cidade atacando principalmente jovens. A chacina aconteceu depois da morte de um policial militar no bairro do Guamá. 

Para apresentar a voz dos jovens brasileiros, as ONGs levaram até Genebra Douglas dos Santos, de 17 anos, de Terra Firme, um dos bairros atingidos pelos ataques em Belém. “Venho de um bairro que enfrenta discriminações e sei como a juventude é reprimida.”

Segundo a denúncia das ONGs, o homicídio “tem cor” no Brasil. Houve entre 2002 e 2012 uma redução nos assassinatos de jovens brancos, com queda de 32%. No caso dos negros, a tendência é inversa, com alta de 32%. Morreram proporcionalmente 168% mais de negros do que brancos em 2012. 

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