ONGs, OAB e Alerj denunciam abuso policial no Alemão

Entidades dizem que houve execução na operação que deixou 19 mortos

Agencia Estado

03 Julho 2007 | 15h42

Representantes de ONGs, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB-RJ), e o vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Marcelo Freixo, denunciaram nesta terça-feira, 3, abusos policiais e uma suposta execução na operação policial no Complexo do Alemão. Eles se reuniram nesta terça com o subsecretário de Segurança Pública do Rio, Marcio Derenne, para denunciar os abusos na operação feita no conjunto de favelas do Alemão na quarta-feira, 27, quando 19 pessoas foram mortas e nove ficaram feridas. A reunião acontece na sede da Secretaria de Segurança Pública, no centro do Rio. Enquanto isso, no conjunto de favelas, uma operação do 16º Batalhão de Polícia Militar resultou em intensa troca de tiros entre policiais e traficantes, na Vila Cruzeiro, no bairro da Penha, zona norte do Rio. A situação agora é de aparente tranqüilidade nas favelas. De acordo com a lista oficial de mortos divulgada na segunda-feira, 2, oito dos 19 mortos na operação não tinham antecedentes criminais. A lista foi divulgada pela Polícia Civil e aponta que três das vítimas eram adolescentes. Freixo criticou o atraso na liberação dos laudos do Instituto Médico-Legal (IML), prometidos para segunda-feira. "Não pode haver dúvidas na apuração das circunstâncias dessas mortes, que tiveram repercussão nacional. Já acho lamentável que a OAB não tenha sido autorizada a acompanhar as necropsias oficiais", afirmou. As famílias de M.V.S., de 16 anos, e de D.S.S., de 14, autorizaram a OAB a fazer a exumação dos corpos. Apesar de divulgar a lista como definitiva, a polícia informou que há outra vítima sem antecedentes, ainda não reconhecida oficialmente por parentes.

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