ONGs vão denunciar ''''crimes de maio'''' à ONU

Entidades se encontram com relator para discutir envolvimento de policiais em chacinas e grupos de extermínio

Bruno Paes Manso e Lisandra Paraguassú, O Estadao de S.Paulo

04 de novembro de 2007 | 00h00

As organizações não-governamentais de direitos humanos paulistas vão denunciar hoje ao relator para execuções extrajudiciais das Nações Unidas, Philip Alston, crimes cometidos por policiais durante os ataques de maio de 2006 do Primeiro Comando da Capital (PCC), além de chacinas e atuação de grupos de extermínio em Guarulhos e Osasco. O encontro com as ONGs faz parte da agenda não-oficial da missão da ONU, que não foi nem informada ao governo brasileiro - que só foi consultado sobre reuniões com políticos e autoridades judiciárias.Alston fica em São Paulo até terça-feira, quando segue para o Rio. Lá, as ONGs capitaneadas pela Justiça Global pretendem denunciar execuções na invasão de junho do Complexo Alemão e discutir as mais de cem mortes ocorridas em operações policiais nos últimos quatro meses em favelas - em casos registrados como resistência seguida de morte.No sábado, o representante da ONU vai para Pernambuco. No dia 12 de novembro, a visita se encerra em Brasília, onde Alston deverá falar com a imprensa sobre o que viu no Brasil. Não está previsto nenhum encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas o relator deverá conversar com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), parlamentares e os comandantes das Forças Armadas. A ONU vem enviando, nos últimos meses, constantes pedidos de explicação ao governo federal sobre suspeitas de execuções feitas por agentes públicos, mas nem todas são respondidas. Outra preocupação está em manter a confidencialidade dos dados obtidos, de forma a evitar casos como o do assassinato do desempregado Flávio Manoel da Silva, há três anos. Ele foi morto cinco dias depois de conversar com a representante da ONU Asma Jahangir, que estava no País para investigar casos de execução sumária - o mesmo que fará Alston agora. O desempregado, que havia conversado reservadamente com Asma em Itambé (PB), foi assassinado antes mesmo da representante da ONU deixar o País.

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