Ongueiros da Viva Rio iam para evento em Genebra

Pablo Gabriel Dreyfus, de 38 anos, casado com uma brasileira, era o único argentino que estava no voo

Ariel Palacios e Roberta Pennafort, O Estadao de S.Paulo

02 de junho de 2009 | 00h00

Um único argentino, casado com uma brasileira, integrava a lista de passageiros do voo AF 447, segundo a Air France. Ele era Pablo Gabriel Dreyfus, de 38 anos. Filho de um dos mais famosos publicitários de campanhas políticas da Argentina, Gabriel Dreyfus, ele integrava a ONG carioca Viva Rio desde 2002 e coordenava pesquisas do Projeto de Controle de Armas da entidade. Dreyfus também participou da elaboração do Estatuto do Desarmamento, aprovado em 2003. O anúncio de seu desaparecimento foi feito pelo próprio pai, em Buenos Aires. "Fiquei sabendo por um amigo de meu filho que me ligou do Brasil. Da empresa (Air France) ninguém me ligou. Eu é que telefonei", explicou o pai da vítima à imprensa em Buenos Aires.Graduado em Ciência Política pela Universidade de Buenos Aires e doutor em Relações Internacionais pelo Institut Universitaire de Hautes Études Internationales, da Suíça, Pablo Dreyfus também atuava como pesquisador associado do Instituto Superior de Estudos da Religião (ISER) e colaborava com instituições de vários países.Dreyfus seguia para Genebra, na Suíça, com a mulher, Ana Carolina Rodrigues, de 28 anos,socióloga com doutorado em questões da juventude pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ). No Viva Rio desde janeiro, ela trabalhava no projeto Proteção de Jovens em Território Vulnerável em duas favelas da cidade fluminense de São Gonçalo. Os dois participariam de uma reunião da Small Arms Survey, rede de pesquisa que produz relatórios sobre diferentes aspectos envolvendo armas de fogo, como tráfico e impacto social.O diretor executivo do Viva Rio, Rubem César Fernandes, destacou a honestidade "para além dos limites do razoável" de Dreyfus e Ana Carolina. Eles tinham "uma competência reconhecida por especialistas de todo o mundo", disse Fernandes, em nota em que se despediu dos pesquisadores. "O Viva Rio é o que é graças a vocês e certamente não será mais o mesmo. Perda irreparável. Inconsolável. Adeus, queridos."ENGENHEIROGerente de qualidade da multinacional Saint-Gobain Canalização, o engenheiro Luis Cláudio Monlevad, de 48 anos, também desapareceu no voo da Air France. Ele iria para Paris, onde pegaria um trem para Nancy. Ficaria uma semana na cidade, a trabalho.Monlevad era natural de Barra Mansa, no sul fluminense, onde fica a sede do braço brasileiro da Saint-Gobain. Ele trabalhava na empresa havia dez anos e costumava ir à França até três vezes por ano. A confirmação de que Monlevad estava no avião foi dada pela manhã pela agência de viagens que serve à empresa. Monlevad era casado e tinha dois filhos.

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