Ônibus argentino cai em ribanceira e 7 morrem

Veículo, que transportava grupo de turistas da terceira idade, vinha de Balneário Camboriú (SC); equipes demoraram 5 h para resgatar vítimas

Júlio Castro, O Estadao de S.Paulo

20 de abril de 2009 | 00h00

Sete turistas argentinas, com idade entre 40 e 65 anos, morreram na noite de anteontem em um acidente com um ônibus na BR-282, em Rancho Queimado, Santa Catarina. O veículo, que transportava um grupo da terceira idade e voltava de Balneário Camboriú para a Província de Misiones, na Argentina, caiu de uma ribanceira de 60 metros. Dos 35 ocupantes, 26 pessoas ficaram feridas. Ontem 10 já haviam recebido alta.O acidente ocorreu por volta de 19h30 de domingo. A bordo do ônibus da empresa de turismo Emílio Viagens havia 32 mulheres que participavam, desde terça-feira, do encontro internacional Feliz Idade. As equipes de resgate levaram cinco horas para retirar todas as vítimas das ferragens, muitas com fratura exposta.Várias versões da causa do acidente foram especuladas. O agricultor Hermínio Costa, que mora a poucos metros do local da tragédia, disse que conversou com um dos motoristas após o acidente. "Ele contou que o ônibus já estava sem freio motor e, quando precisou do freio de pedal, não teve como segurar", revelou. Ele contou também que os motoristas já haviam comunicado à empresa sobre o problema mecânico.Outra versão para o acidente é a de que o ônibus, sem freio, teria colidido na traseira de um caminhão. Sem controle, o veículo teria caído na ribanceira. No Hospital Celso Ramos, em Florianópolis, o motorista do ônibus Daniel Lessa afirmou que conduzia o ônibus a uma velocidade de 40 quilômetros por hora no momento do acidente. O Instituto-Geral de Perícia (IGP) recolheu o tacógrafo para incluir no processo de identificação das causas da tragédia. Julia Ocho Teco, de 56 anos, uma das vítimas com ferimentos leves, disse que o ônibus fazia movimentos de vaivém antes do acidente, ao resumir a sequência de perigosas curvas existentes naquele trecho de serra. Segundo ela, o ônibus deixaria passageiros nas cidades de Posadas e Obrido, ambas na Província de Misiones. O cônsul da Argentina em Florianópolis, Alberto Coto, passou a madrugada de segunda-feira visitando as vítimas nos hospitais. Ontem, o IGP aguardava a chegada de familiares das mulheres mortas para fazer a identificação e a liberação dos corpos, que devem seguir hoje para o país vizinho.TRAGÉDIASSanta Catarina, que nesta temporada recebeu cerca de 400 mil argentinos, se transformou em importante roteiro de turismo para os países do Mercosul, mas também figura com um retrospecto de tragédias nas estradas. Em seis anos, pelo menos 3,1 mil pessoas morreram em acidentes nos 2,3 mil km das oito rodovias federais no Estado. Só no fim de semana passado mais 23 pessoas morreram vítimas de acidentes nas estradas catarinenses. O maior acidente registrado com turistas argentinos em Santa Catarina aconteceu em janeiro de 2000 (leia mais abaixo). Em um intervalo de 30 horas, dois acidentes, em um trecho de apenas dois quilômetros de uma rodovia, causaram a morte de 44 pessoas argentinos.

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