Ônibus da Andorinha que bateram estavam acima da velocidade permitida

O laudo sobre o acidente no quilômetro 538 da Rodovia Raposo Tavares, em que dois ônibus da empresa Andorinha bateram de frente, deixando 32 mortos e 21 feridos, por volta da zero hora do dia 22 de janeiro, revela que os dois veículos estavam acima do limite de 80 quilômetros por hora, velocidade máxima permitida na rodovia. O tacógrafo do ônibus que ia de Colorado, no Paraná, para São Paulo, e que invadiu a pista contrária, registrou naquele momento velocidade de 122 quilômetros por hora. O ônibus que vinha no sentido contrário, de Bauru a Presidente Prudente, vinha a 85 quilômetros por hora. O documento revela ainda que os dois motoristas estavam acordados. Pedro Esmênio Carneiro Colombo, que dirigia o ônibus que ia para São Paulo, tentou defender-se com as mãos. Vanderlei Aparecido Panicio arregalou os olhos no momento da colisão. O mistério é por qual motivo Colombo invadiu a pista contrária.UltrapassagemDe acordo com declarações do delegado seccional Marcos Boarraj Mourão, se o acidente tivesse sido causado por uma ultrapassagem, um terceiro veículo estaria envolvido no acidente. O ônibus que saiu do Paraná arrastou o outro por 32 metros. Das 14 pessoas que estavam no ônibus que ia para São Paulo, oito morreram. No ônibus da linha Bauru-Prudente, 24 dos 39 passageiros morreram. O delegado Claudinei Alves, que é de Regente Feijó, município onde ocorreu o acidente, e preside o inquérito, disse que o impacto entre os dois ônibus foi livre, pois nenhum reduziu a velocidade. Com base na perícia, ele disse que se tivesse ocorrido uma ultrapassagem, pelo menos um dos coletivos teria atingido o veículo ultrapassado. Como os dois motoristas morreram na colisão, ninguém é responsável criminalmente pelo acidente.ResponsabilidadeA Andorinha, que tem sede em Presidente Prudente, assumiu a responsabilidade civil do acidente. Alves disse que a empresa prestou assistência aos hospitalizados e fez acordo em alguns casos de indenização. O laudo apontou que não havia sobrecarga de trabalho dos motoristas, inclusive do motorista que causou o acidente, que havia descansado nas últimas 12 horas, e minutos antes tinha iniciado a viagem a partir do terminal rodoviário de Prudente. Segundo Mourão, a possibilidade de Colombo ter sido acometido por mal súbito é pouco provável, "pois ele não diminuiu a velocidade". Alves espera concluir o inquérito em mais 30 dias. Ele aguarda os testemunhos dos passageiros que sobreviveram ao acidente e disse que não há testemunhas. "Nestes próximos 30 dias esperamos elucidar a tragédia de maneira completa", afirma Mourão.

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