Ônibus é incendiado em Campinas

Várias investidas do Primeiro Comando da Capital (PCC) contra alvos civis foram registrados entre a noite de sexta-feira e a tarde deste sábado na capital e cidades do interior paulista. No ataque mais recente, às 12h30, três homens e duas mulheres incendiaram um ônibus no Jardim Novo Campos Elísios, em Campinas. Antes de atearem fogo, o bando pediu para que os ocupantes descessem. Ninguém ficou ferido. Foi o único atentado promovido pela facção criminosa à luz do dia nesse fim de semana. Esse foi o 17º coletivo atacado em Campinas desde a tarde de terça-feira. Segundo a Associação da Empresas de Transportes Urbanos de Campinas (Transurc) o prejuízo chega a quase R$ 2 milhões. Durante a onde de violência de maio a associação teve 13 veículos destruídos por ataques. Por conta dos ataques, os empresários movem uma ação contra o governo do Estado de São Paulo sob alegação de perdas e danos. Segundo o setor, os ataques ocorreram por falta de segurança em diferentes horários do dia e da noite e em vários pontos da cidade. A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Endec) multou a Transurc por retirar os ônibus de circulação antes do horário normal nas noites de quinta e sexta-feira. O valor é de R$ 86 por dia de cada carro recolhido. Outros ataques Entre a noite de sexta e a madrugada de sábado, outras cidades do interior e vários pontos da capital foram palcos de ataques. Em São Paulo, o Corpo de Bombeiros teve que conter ao menos cinco incêndios criminosos que podem estar relacionados ao PCC. No interior, a maioria dos atentados se concentraram na região de Ribeirão Preto, onde ônibus, agências bancárias e um caminhão foram atacados. Em nenhum dos casos houve vítimas ou prisões.Em Ribeirão Preto, no início da madrugada de sábado, as agências dos bancos Itaú, Real e Caixa Econômica Federal, localizadas na Avenida Mogiana, foram alvejadas por tiros de pistola calibre 380. O único incidente registrado em Franca ocorreu no Jardim Santa Bárbara, onde quatro tiros foram disparados contra o portão da casa de um policial militar. Na cidade de Morro Agudo, também na região de Ribeirão, um caminhão carregado com 28 toneladas de açúcar foi o alvo. Os bandidos usaram gasolina para incendiar a carreta. Pelo menos 15 toneladas de açúcar foram perdidas, mas o cavalo do caminhão não foi atingido. Em Matão, o Fórum da cidade foi pichado com a frase "abaixo a opressão do sistema carcerário". Todos esses incidentes ocorreram na madrugada de sábado.Já na noite de sexta-feira, dois ônibus de trabalhadores rurais foram alvos de atentados em Ituverava. Os dois veículos ficaram completamente destruídos. Um dos incêndios ocorreu no Parque dos Esportes 2 e o outro no bairro Benedito Trajano Borges. Ambos foram atacados com coquetéis molotov.Também na noite de sábado, a sede da CPFL em Jaboticabal foi atingida por uma bomba caseira. O artefato quebrou vidros de um dos escritórios e não causou grandes danos, pois o segurança agiu rapidamente, evitando um possível incêndio. A direção da empresa acredita que seja um ato isolado e não um atentado do crime organizado.Litoral e capitalNa Praia Grande, o segundo-tenente reformado da Polícia Militar Nilton Santos Ramos, de 55 anos, foi morto a tiros na noite de sexta-feira, em sua casa, na periferia da cidade. De acordo com a polícia, quatro homens encapuzados chegaram à casa do PM procurando pela vítima. Ao atendê-los, Ramos foi rendido e levado para o fundo da casa, onde foi alvejado várias vezes pelos criminosos. Com a morte, que para a polícia pode estar relacionada à ações do PCC, já são sete as vítimas fatais da facção criminosa desde o reinício da onda de violência na última quarta-feira.Também na noite e madrugada de sexta para sábado, um caminhão de lixo, uma lotação, uma fábrica de colchões, um depósito de ferro velho e um supermercado foram incendiados por criminosos na cidade de São Paulo. Colaborou Solange SpigliattiEste texto foi atualizado às 17h59.

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