Ônibus e Metrô param por duas horas na segunda-feira

Motoristas e cobradores de ônibus de 29 garagens das capital, que operam as 1.300 linhas estruturais do transporte coletivo, vão se juntar aos metroviários e atrasar a saída dos veículos em duas horas, das 4 horas para às 6 horas de segunda-feira, 23, em protesto contra a possível derrubada, pelo Congresso, do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto da Emenda 3. Pelo mesmo motivo, o Metrô também vai começar a operar mais tarde na segunda - em vez de as estações abrirem as portas e os vagões começarem a circular às 4h30, deve começar apenas às 6h30, segundo o Sindicato do Metroviários. Sem transporte por duas horas deve haver caos no início da semana na capital paulista. A paralisação dos motoristas e cobradores foi decidida em assembléia na sexta-feira, 20, e aprovada por unanimidade. Atingirá 18 empresas. Devem ficar de fora do protesto os trabalhadores das cooperativas de microônibus e vans (linhas locais). ?Junto com o atraso dos metroviários, o trânsito só deve se normalizar lá por umas 10 horas?, prevê Nailton Francisco de Souza, coordenador do Departamento de Manutenção do Sindicato dos Motoristas e Cobradores. Até a noite de sexta, a São Paulo Transportes (SPTrans) sequer sabia do protesto, e não havia previsão de um esquema de emergência. Os metroviários, segundo o sindicato, devem manter o protesto e ignorar a liminar obtida pelo Metrô no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que na quinta-feira determinou que 100% das composições circulem, sob pena de multa de R$ 100 mil. O diretor da entidade, Manuel Xavier Lemos Filho, informou que a categoria sabe da punição determinada pela Justiça e que, mesmo assim, tomou a decisão pelo atraso em duas horas. ?A palavra foi dos trabalhadores.? As atividades devem ser retomadas depois das paralisações. Às 5 horas de segunda-feira, o presidente da CUT, Artur Henrique da Silva Santos, deve participar de um ato na Estação Itaquera do metrô, a favor do veto de Lula à Emenda 3. Entenda o que é a Emenda 3 A Emenda 3 é um item incluído por parlamentares na legislação federal que criou a Super-Receita. Pela emenda, auditores fiscais ficariam proibidos de multar empresas prestadoras de serviços, mesmo se julgarem que esses contratos estejam disfarçados de relações empregatícias. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou a emenda no dia 16 de março, mas o Congresso pode derrubar o veto e transformá-la em lei. Entidades acham que emenda representa uma agressão aos direitos trabalhistas - já que, em teoria, as empresas não teriam mais que respeitar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) nas contratações.

Agencia Estado,

21 Abril 2007 | 13h01

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