Pablo Kennedy-Agência JCM/Estadão
Pablo Kennedy-Agência JCM/Estadão

Ônibus é queimado e terminais lotam no 1º dia de greve no Recife

Motoristas, cobradores e fiscais da capital e da região metropolitana reivindicam 10% de aumento salarial; sindicato patronal oferece 5%

Angela Lacerda, O Estado de S. Paulo

28 de julho de 2014 | 09h29

Atualizado às 14h30

RECIFE - Greve de motoristas, cobradores e fiscais de ônibus iniciada nesta segunda-feira, 28, na Região Metropolitana do Recife, provocou transtornos para a população, com atrasos e lotação de terminais, e o registro de quatro veículos danificados. Um deles foi queimado no bairro do Barro, na zona oeste do Recife. Dezenas tiveram pneus furados.

Logo no início da manhã, motoristas começaram a parar na PE-15, Complexo Salgadinho, no município vizinho de Olinda - sentido Recife - e os passageiros tiveram de seguir a pé. Alguns dos veículos tiveram pneus esvaziados e pelo menos um deles teve janelas quebradas por um passageiro, que foi detido. O trânsito foi bloqueado por algumas horas.

Os passageiros do ônibus queimado foram os responsáveis por atearem o fogo, que foi rapidamente debelado com uso de extintores. Não houve detenções nem feridos. Nas Avenidas Caxangá e Norte, dois dos principais corredores de ônibus na capital, dezenas de veículos tiveram pneus furados.   

A analista financeira Patrícia Santos, de 23 anos, testemunhou o tumulto na PE-15 quando, segundo ela, quatro grevistas fardados murcharam os pneus de um ônibus que havia sido estacionado em uma parada para descida e subida de passageiros. "As pessoas pediram para eles não fizessem isso, mas eles continuaram e depois saíram correndo", contou ela.

"Algumas pessoas, muito irritadas, correram atrás querendo bater neles, enquanto outras fecharam a via, em protesto pelo que eles fizeram", disse Patrícia. Neste momento, segundo a analista, chegou um ônibus que lhe servia, e ela subiu. Também entrou no coletivo um dos grevistas responsáveis por murchar os pneus. "Senti muito medo, tinha gente revoltada contra os grevistas." 

Patrícia soube depois que não houve registro de feridos. Ela disse ter levado 15 minutos a mais para chegar ao trabalho. "Como sabia da greve, saí mais cedo de casa."

Sem acordo. Apesar de todo empurra-empurra e transtornos por causa da redução do número de veículos e demora nos terminais e paradas de ônibus, de acordo com o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros no Grande Recife (Urbana), 66% da frota estava circulando cedo, chegando a 75% no meio da manhã.

A Urbana informou ainda ter pedido permissão à justiça do trabalho para contratar novos funcionários em substituição aos grevistas.

A greve da categoria foi anunciada no último dia 24. No fim de semana, o Urbana conseguiu uma liminar do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região que determina que 100% da frota deveria circular nos horários de pico - das 5h30 às 9h e das 17h às 20h - e 50% no restante do dia.

O Sindicato dos Rodoviários prometeu entrar com recurso por entender que a liminar fere a Constituição e o direito de greve. A multa pelo descumprimento é de R$ 100 mil por dia.

A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) decidiu suspender as aulas a partir do período da tarde, diante da dificuldade dos alunos para chegar à instituição.

Os trabalhadores querem 10% de aumento salarial e vale-alimentação de R$ 320,00. Eles não aceitaram proposta patronal de aumento linear de 5% nos salários e no tíquete-alimentação, que é de R$ 171,00.

A greve atinge dois milhões de usuários no Grande Recife. São 18 empresas de ônibus, com três mil veículos, que cobrem 385 linhas.

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