Ônibus param e Tatto promete mudar empresas

O secretário dos Transportes, Jilmar Tatto, anunciou nesta terça-feira que, até o fim do mês, algumas empresas de ônibus vão deixar o sistema da capital para acabar com o que ele definiu como ?farra do boi em São Paulo?. A afirmação foi feita à tarde, após mais uma greve motivada pelo atraso dos salários de motoristas, que, segundo ele, são utilizados como massa de manobra pelos donos das viações.?Queremos tirar parte desses maus empresários?, disse. ?Gostaria que mudasse pelo menos 50%.? Pela manhã, 12 empresas pararam. Sem os 2.700 veículos que não deixaram as garagens, mais de 700 mil pessoas foram prejudicadas. A maioria delas na zona leste, onde operam oito das viações afetadas.Cinco terminais foram fechados ? quatro da zona leste e um do centro. A partir das 7 horas, os veículos começaram a voltar e a situação foi sendo normalizada. No fim da tarde, apenas as Viações Aricanduva e Expresso Paulistano ainda estavam paradas. Os Terminais Aricanduva, Cidade AE Carvalho, Penha e Parque D. Pedro continuavam fechados. O Terminal da Vila Prudente só foi reaberto às 12h20.O saldo da manifestação incluiu 20 ônibus depredados. A reivindicação dos motoristas era o pagamento dos salários de dezembro, que deveriam ter sido depositados sábado. A ameaça inicial do sindicato era paralisar mais da metade das 39 empresas que operam o sistema de transportes na capital. Ao longo da noite, no entanto, trabalhadores e empresários disseram ter chegado a acordo.De acordo com Tatto, não foi isso que ocorreu. Ele afirmou que o atraso do pagamento já estava previsto e o acordo entre patrões e empregados havia sido firmado há algum tempo. Restou, em sua opinião, apenas uma única razão: ?O último suspiro das empresas para forçar um aumento maior?.A passagem sobe de R$ 1,40 para R$ 1,70 domingo, mas as empresas queriam R$ 1,91 e nesta terça-feira foi o último dia para a Prefeitura enviar à Câmara o novo valor cobrado nas catracas. Para Tatto, a greve foi um locaute. ?Determinei à São Paulo Transporte que multasse as empresas.?As multas variaram de R$ 2.900,00 a R$ 26.390,00. Para o secretário jurídico do sindicato, Geraldo Diniz, Tatto está equivocado. ?Não tem nada disso e ele sabe da dificuldade do sistema, que está falido, e a luta da gente para mantê-lo de pé.?No fim deste mês, um novo contrato de emergência será assinado com as empresas por mais seis meses e Tatto garante que alguns empresários que trabalham hoje estarão de fora. Os novos contratos vão incorporar novidades previstas para a concessão do sistema em licitação. Um novo sistema com novos empresários, que o secretário espera que comece a funcionar em julho. ?Queremos oxigenar o sistema.?O Transurb, sindicato que reúne os empresários do setor, informou que um dos problemas é a queda do número de passageiros em dezembro. Para Tatto e para a prefeita Marta Suplicy (PT), isso não é justificativa. ?Qualquer empresário faz provisão, tem planejamento?, disse Tatto, reproduzindo o que Marta dissera pela manhã.?Temos de banir de São Paulo esse tipo de empresário que não faz planejamento.? O presidente do Transurb, Sérgio Pavani, não quis comentar as acusações e declarações do secretário. ?Todo mundo sabe da situação das empresas. O resto não tenho que comentar.?

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