Ônibus param em Curitiba e prefeitura recorre a particulares

Veículos fretados podem cobrar, no máximo, R$ 6 por passageiro. Sindicatos trocam acusações sobre responsabilidade da greve total

Julio Cesar Lima

27 de junho de 2014 | 10h39

CURITIBA - Um dia após o inédito movimento de catraca livre, provocado pela greve de cobradores do transporte coletivo de na região metropolitana de Curitiba, que gerou prejuízo de R$ 2,5 milhões, a população da capital paranaense amanheceu nesta sexta-feira, 27, com 100% do transporte paralisado.

Para tentar reduzir o problema provocado pela paralisação, o presidente da Urbanização de Curitiba (Urbs), autarquia responsável pelo transporte coletivo da capital e da região metropolitana, Roberto Gregório,  disse à imprensa que a prefeitura está cadastrando veículos particulares para serem colocados à disposição da população com tarifa máxima de até R$ 6,00 por passageiro.

"Hoje, nós optamos por adotar o fretamento particular, que já está em operação. Não estamos a favor nem de um sindicato nem de outro, mas do interesse público", avaliou Gregório. Até as 10h, haviam sido cadastrados 60 veículos particulares.

Segundo o Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp), os ônibus devem transitar com motoristas e cobradores - com exceção dos motoristas que têm função dupla - para ficar dentro dos critérios da lei.

Apesar disso,  o Setransp culpa o Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Curitiba (Sindimoc) por impedir alguns profissionais de trabalharem. Para tentar resolver o problema, está prevista na tarde desta sexta-feira uma reunião entre os dois sindicatos e a Prefeitura no Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Nesta quinta-feira, 26, o TRT julgou a catraca livre como um movimento legal e não abusivo.

Em relação à parada total da frota, os dois sindicatos tentam se eximir de responsabilidade. Segundo o presidente do Sindimoc, Anderson Teixeira, os ônibus circulariam da mesma forma que na quinta-feira. "Na verdade, a greve é dos cobradores e os empresários não permitiram que os ônibus saíssem hoje, ou seja, um desrespeito a toda a população."

Já o presidente do Setransp, Maurício Gulin, acusou o Sindimoc de promover piquetes. "Temos documentos e imagens que provam isso, alguns colaboradores do sindicato tentando impedir a saída dos ônibus. Nós queremos cumprir a lei", completou.

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