Ônibus sofrem seqüestros relâmpagos em São José dos Campos

Uma nova modalidade de seqüestro relâmpago está se espalhando por São José dos Campos, no Vale do Paraíba. Agora, as vítimas são os passageiros de ônibus circulares. Nos primeiros quatro dias de maio, três crimes semelhantes foram registrados. Todos aconteceram depois das 21h, da mesma maneira: um grupo de menores armados com revólveres e espingardas, geralmente formado por quatro ou cinco pessoas, entra no ônibus, rende o cobrador e o motorista e obriga todos os passageiros a entregar seus bens, dinheiro e passes. Segundo a Polícia Militar 29 pessoas foram roubadas e ficaram sob o poder da quadrilha neste novo tipo de seqüestro.A ação poderia ser considerada rotina se não fosse o tempo em que os bandidos ficam em poder das vítimas. No crime ocorrido no dia 4 de maio, a quadrilha permaneceu uma hora e meia no ônibus, obrigando o motorista a mudar de rota e passar em vários pontos, pegando novas vítimas. "Cada passageiro que entrava no ônibus era uma nova vítima", conta o presidente do Sindicato dos Condutores, José Carlos de Souza. A polícia militar mapeou os lugares mais perigosos, onde os assaltos são mais freqüentes e tem atuado nestas regiões, principalmente à noite. Na tarde de ontem, foi realizada uma mega-operação, onde mais de 700 pessoas foram revistadas e 450 veículos abordados, inclusive coletivos. "No que depender da ação da polícia para desvendar esses crimes, o sindicato pode contar com a gente", disse o delegado seccional de São José dos Campos, Roberto Monteiro. Entre 2000 e 2001, foram registradas 458 ocorrências em coletivos. Este ano, os assaltos em ônibus caíram 15%. Mas, apesar da redução, a preocupação da categoria é com o tipo de assalto. "Antes eles roubavam um passageiro e o caixa do cobrador e fugiam. Agora querem todos os usuários dos ônibus e ficam mais tempo nos ônibus?.Para o presidente do sindicato, o que assusta os 1.400 motoristas e cobradores que atuam na cidade é a ousadia dos bandidos. "Temos medo de trabalhar desse jeito". Souza relata que funcionários já foram afastados depois de ser assaltados, por questões psicológicas. "Quem consegue dirigir sabendo que pode morrer a qualquer momento?".

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