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ONU acusa Indonésia de incoerência ao aplicar pena de morte

Entidade lembra que país asiático costuma fazer apelos quando um cidadão indonésio é condenado e pede suspensão das execuções

Jamil Chade, Correspondente de O Estado de S. Paulo

29 de abril de 2015 | 06h53

GENEBRA - A Organização das Nações Unidas (ONU) critica o governo da Indonésia pela execução de oito pessoas nesta terça-feira, 28, entre eles o brasileiro Rodrigo Gularte, acusa o país de incoerência e pede que os asiáticos adotem uma moratória em futuras execuções.

Gularte foi condenado por tráfico de drogas e, apesar dos diversos apelos do governo brasileiro, Jacarta optou por manter a execução. Ele foi o segundo brasileiro a ver a pena de morte aplicada pelo governo da Indonésia em poucos meses.

Em um comunicado, a ONU chega a atacar a incoerência do governo da Indonésia que, quando se depara com um de seus cidadãos condenados pelo mundo, faz apelos para que a vida da pessoa seja poupada.

"A Indonésia faz apelos de clemência quando seus próprios cidadãos enfrentam a execução em outros países. Portanto, é incompreensível que ela se recuse de forma absoluta a dar clemência a crimes menores em seu próprio território", declarou Rupert Colville, porta-voz de Direitos Humanos da ONU. 

"É extremamente lamentável e triste que essas pessoas tenham suas vidas retiradas", disse Colville.

A ONU também critica o uso da pena de morte para combater o tráfico de drogas. "Pelo direito internacional, se a pena de morte for usada, ela deve ser imposta apenas aos crimes mais sérios, essencialmente aqueles envolvendo um assassinato intencional", explicou Colville. "Ofensas relacionadas com as drogas não estão consideradas sob essa categoria de crimes mais sérios", insistiu.

Colville explicou que seu escritório, o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, e outras agências das Nações Unidas pedem que a Indonésia suspenda essas práticas. "Apelamos uma vez mais que a Indonésia restabeleça sua moratória na pena de morte", concluiu o porta-voz em Genebra.  

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