ONU deve aprovar resolução contra abuso aos bahá?ís no Irã

Está em discussão na Organização das Nações Unidas (ONU) a aprovação de uma nova resolução para monitorar violações aos direitos humanos que estariam sendo cometidas pelo governo do Irã contra seguidores da fé bahá?i, fundada em 1844. Desde a Revolução Islâmica, entidades de direitos humanos estimam que 250 bahá?is tenham sido executados sem julgamento no Irã. O regime teocrático não reconhece a religião em sua Constituição, como ocorre com o cristianismo e o judaísmo. A resolução deve ser aprovada até o fim do mês.Desde que foi fundada a religião bahá?i, estima-se que mais de 20 mil seguidores tenham sido mortos. A advogada paquistanesa Asma Jahangir, relatora especial da ONU para liberdade de religião e crença, desde 2004 acusa o governo de Mahmoud Ahmadinejad de apertar o cerco contra os bahá?ís. O governo teria determinado aos militares monitorar as atividades dos seguidores da fé."Com a Revolução Islâmica, de 1979, locais sagrados foram confiscados, os bahá?ís impedidos de entrar na universidade ou de receber aposentadoria e demitidos. As assembléias locais, presentes em cada cidade e país, foram banidas e seus integrantes mortos. Agora, está havendo um novo estrangulamento intelectual contra os seguidores. Até o passaporte lhes é negado", diz Washington Araújo, diretor de comunicação da Comunidade Bahá?i no Brasil. O governo iraniano nega as acusações. Na década de 1980, mais de 50 mil bahá?ís que deixaram o Irã para se refugiar em outros países, inclusive o Brasil. Com mais de 7 milhões de seguidores no mundo - 2 milhões deles na Índia, 350 mil no Irã e 150 mil dos Estados Unidos -, a religião bahá?i está entre as dez maiores do mundo e é a segunda mais espalhada, com presença em 178 países, segunda a enciclopédia britânica.

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